sábado, 3 de dezembro de 2016

Convertei -vos


https://www.youtube.com/watch?v=cMdkEXcg5Do

A liturgia deste domingo convida-nos a despir esses valores efémeros e egoístas a que, às vezes, damos uma importância excessiva e a realizar uma revolução da nossa mentalidade, de forma a que os valores fundamentais que marcam a nossa vida sejam os valores do “Reino”.

Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta um enviado de Jahwéh, da descendência de David, sobre quem repousa a plenitude do Espírito de Deus; a sua missão será construir um reino de justiça e de paz sem fim, de onde estarão definitivamente banidas as divisões, as desarmonias, os conflitos.

No Evangelho, João Baptista anuncia que a concretização desse “Reino” está muito próxima… Mas, para que o “Reino” se torne realidade viva no mundo, João convida os seus contemporâneos a mudar a mentalidade, os valores, as atitudes, a fim de que nas suas vidas haja lugar para essa proposta que está para chegar… “Aquele que vem” (Jesus) vai propor aos homens um batismo “no Espírito Santo e no fogo” que os tornará “filhos de Deus” e capazes de viver na dinâmica do “Reino”.

A segunda leitura dirige-se àqueles que receberam de Jesus a proposta do “Reino”: sendo o rosto visível de Cristo no meio dos homens, eles devem dar testemunho de união, de amor, de partilha, de harmonia entre si, acolhendo e ajudando os irmãos mais débeis, a exemplo de Jesus.

A Igreja deve ser o sinal vivo desse “reino” novo de justiça e de paz… É isso que acontece? Ela tem anunciado – com palavras e com gestos – o projeto de Jesus? As nossas comunidades cristãs e religiosas dão testemunho de harmonia, de entendimento, de amor sem limites?

Convém não esquecer que a conversão à harmonia, à partilha com os mais pobres, ao amor fraterno, ao dom da vida é algo exigente, que não pode ser feito contando apenas com a boa vontade do homem; mas é algo que só pode ser feito com a força e com a ajuda de Deus… Lembro-me de pedir a Deus a sua ajuda para vencer o meu egoísmo e a minha autossuficiência e para amar verdadeiramente os meus irmãos? Estou disposto a ir ao seu encontro e a deixar que Ele converta o meu coração e a minha vida?

Convertei-vos! Um sonho muito belo este de Isaías! No estado atual do mundo, como imaginar a sua realização? A chave é-nos dada por João: “Convertei-vos!” Reconhecer o nosso pecado! Deixar o fogo do Espírito queimar-nos e transformar-nos! É a partir de cada um de nós que começa o mundo novo. É a partir do coração novo de cada um de nós que o mundo poderá ter um novo coração! Mais uma semana para rezar e praticar a conversão! Mãos à obra!

extractos de portal dos dehonianos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

MARCAR A DIFERENÇA COM O DIFERENTE


Ao longo da história sempre houve pessoas portadoras de deficiência. O reconhecimento dos seus direitos e da sua inserção social, apesar de lento, vai fazendo o seu caminho. A proclamação do ano 1981 como “Ano Internacional dos Deficientes”, o se ter estabelecido o dia 3 de dezembro de cada ano como o “Dia Internacional das Pessoas com Deficiência” e do ano 2003 ter sido “Ano Europeu da Pessoa com Deficiência”, tudo ajudou a criar um maior conhecimento dos problemas que afetam as pessoas com deficiência. A Conferência Episcopal Portuguesa também publicou, em maio de 2003, uma Nota Pastoral intitulada: “As Pessoas com Deficiência – Cidadãos de Pleno Direito”. Multiplicaram-se as iniciativas por parte das mais variadas instituições oficiais e particulares. Criaram-se associações, organizaram-se debates, congressos e jornadas, lançaram-se programas de ação, editaram-se milhares de publicações científicas e de divulgação. Os organismos internacionais foram fazendo recomendações, publicaram-se legislações específicas, foram lançados novos programas de intervenção no âmbito da família, da educação, do emprego e da inserção social, implementaram-se soluções mais adaptadas para cada tipo de deficiência. A própria comunicação social começou a olhar para esta temática com mais atenção e frequência.
No “censos” de 2011 não se apontou a existência dos cidadãos com deficiência, foi uma falha. No entanto, possivelmente assente no “censos” de 2001, a Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes, afirmava, em 2003, que existiam em Portugal 250 mil deficientes sensoriais, 70 mil deficientes mentais, 150 mil deficientes motores e 140 mil deficientes orgânicos (cf. Nota Past. CEP, 2003). Penso que ainda não são públicos os dados do “censos” que a Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, no princípio deste ano, prometeu fazer com a ajuda das autarquias e centros de saúde, procurando saber onde estão, em que condições vivem, com que recursos, que formação e aptidões profissionais têm.
Como sabemos, a dignidade da pessoa humana não resulta das capacidades que possui nem das funções que desempenha. Toda a pessoa humana é dotada de uma dignidade original e única, inviolável e indivisa, que não se baseia na funcionalidade do seu organismo mas na essência da sua natureza. A sua vida é tão sagrada como a vida de qualquer outra pessoa. Não lhe pode ser recusado “o direito à vida, à diferença e à expressão de si; o direito a ser amada, a ser reconhecida e a ser respeitada; o direito a receber a ajuda necessária à sua realização pessoal, à inserção na sociedade e à participação ativa, em conformidade com as suas possibilidades”. Mas direitos e deveres são correlativos. Também a pessoa com deficiência, na medida das suas capacidades funcionais, tem deveres a cumprir para com os outros e a sociedade. É por este caminho, pelo exercício dos seus direitos e pelo cumprimento dos seus deveres, que a pessoa com deficiência fortalece a sua autoestima, promove a sua autonomia social e económica, e se poderá libertar do assistencialismo que inferioriza e degrada. Também por isso, não lhe pode ser recusado o direito nem escusado o dever de participar na planificação, atuação, supervisão e avaliação das ações desenvolvidas pela sociedade e que lhe dizem respeito. Como qualquer outra pessoa e segundo as suas capacidades, tem o direito inato à inserção no tecido social, cultural e religioso, à educação inclusiva, ao desempenho de uma atividade profissional. No entanto, a concretização desses direitos exige a criação de condições em legislação apropriada e disponibilização dos meios indispensáveis à concretização das normas legais, para que não sejamos um país de boas leis e más práticas. Apesar de haver já sinais positivos de adaptação às limitações de vários tipos de deficiência na via pública, na sinalização de trânsito, nos meios de transporte, nos edifícios de utilização pública e noutros lugares, ainda existem muitas barreiras arquitetónicas, sociais e culturais que é preciso continuar a eliminar (cf. Idem, CEP). E isto leva tempo, somos lentos em certas mudanças, sobretudo nas mudanças de mentalidade.
Curvamo-nos diante de todas as famílias que, com amor e fortaleza de ânimo, acolhem os filhos deficientes ou se dispõem a adotar crianças com alguma insuficiência física ou mental. Fazem-no num ambiente de “carinhoterapia” impressionante. Unidas a Cristo, evangelizam o próprio sofrimento e, com o seu testemunho, ajudam a evangelizar o sofrimento dos outros. Para todas elas, um abraço de muita admiração e estima na certeza de que “em cada pegada de amor nasce sempre uma flor de gratidão”.

D. Antonino Dias- Bispo de Portalegre Castelo Branco - 2-12-2016

São Paulo escreve:

4 chaves para que «não te roubem o Advento»



iMissio (01-12-2016)

Em um artigo publicado pelo Sistema Informativo da Arquidiocese do México (SIAME), o Pe. Robert Havens fez quatro recomendações importantes para que durante o tempo do Advento, que prepara o caminho para a celebração do Natal no dia 25 de dezembro, não seja um tempo perdido devido ao stresse das festas e ao materialismo.

No texto “Que não te roubem o Advento”, o Pe. Havens, diretor de desenvolvimento institucional da Cáritas da Arquidiocese do México, sublinhou que o Natal “é tão importante, que não podemos ‘digerir’ da noite para o dia. Ninguém prepara um casamento uma noite antes. Como seres humanos, necessitamos de tempo para perceber o que virá, a fim de celebrá-lo corretamente”.

“Um Advento bem vivido assegura um Natal lindo e alegre. Que não perca o seu Advento!”, exortou.

Os quatro conselhos do Pe. Robert Havens para que “não te roubem o Advento” são os seguintes:

1. “Perceber que o Natal se celebra a partir da Véspera de Natal, quando celebramos a chegada de Cristo”, aconselhou o sacerdote.

O Pe. Havens assinalou que, embora “não haja nada de ruim nas pré-festas que fazem parte da nossa cultura, estas não devem ser confundidas com o verdadeiro Natal”.

“Antecipar a celebração do Natal sempre nos deixará vazios, sem a verdadeira alegria. Em um mundo de luzes e decorações, temos que perceber que ‘ainda não!’”, encorajou.

2. O Pe. Robert Havens assinalou que a segunda chave é “fazer um momento de silêncio a cada dia” do Advento.

“Não tem que ser muito tempo: podem ser três minutinhos, por exemplo. Mas três minutinhos inteiros nos quais eu me retiro, faço silêncio e me lembro que Cristo virá no Natal. Cristo virá no Natal!”.

“Se você consegue fazer isto diariamente, sua experiência do Natal neste ano será muito diferente e muito especial”, assegurou.

3. Uma terceira “ajuda para viver bem o Advento”, disse o sacerdote, “é fazer com que este seja um tempo de preparação pessoal, como fazemos durante a Quaresma”.
“Com atos de sacrifício e melhora pessoal, posso ‘limpar’ o presépio do meu coração, onde chegará o Menino Jesus no dia 24”.

Como exemplos de pequenos atos de sacrifício, o Pe. Havens indicou “ficar uma tarde sem escutar rádio, um café sem açúcar, uma Missa durante a semana, um sorriso para uma pessoa ‘difícil’, dar mais dinheiros ao pobre: todas estas são maneiras de ‘varrer o presépio’ para que esteja digno em sua pobreza para o Rei que chegará”.

4. “Finalmente, os símbolos e práticas externas também nos podem para ajudar a tornar o Advento um tempo de preparação”, disse o director de desenvolvimento institucional da Cáritas da Arquidiocese do México.

“Ter uma coroa do Advento em nossa sala ou local de trabalho e acender as velas correspondentes durante algumas horas durante o dia, nos recorda que o Senhor ainda não chegou”, assinalou.

O Pe. Havens aconselhou também a “ler um versículo do capítulo 1 ou 2 do Evangelho de São Lucas na hora de acendê-la”.

“Outra prática é montar o nosso presépio gradualmente, acrescentando uma peça ou uma decoração a cada dia do Advento; mas apenas nos dias em que nos esforçamos para viver bem o nosso Advento”, disse.

[©AciDigital]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Vídeo do Papa 12 – Meninos-soldados – Dezembro 2016


https://www.youtube.com/watch?v=96jGxXQHfzw

5 conselhos para viver o Advento



iMissio (01-12-2016)

O Natal está próximo e com ele a compra de presentes, a preparação da ceia e a lista de convidados. Mas, o que verdadeiramente devemos preparar? A seguir, confira 5 conselhos que lhe ajudarão a viver este tempo de preparação para o Nascimento do Menino Jesus.


Em declarações ao Grupo ACI, o Diretor do Rádio Maria no Chile, Pe. Carlos Irarrázaval, deu 5 conselhos para viver este tempo litúrgico. “Que não nos arrebatam o tesouro“, enfatizou o presbítero.


1. Viver o Advento em família


2. Recordar o festejado


3. Montar o presépio


4. Contemplar o mistério e preparar o coração para receber o Senhor


5. Ser missionários


É importante recordar que o Advento é o período de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso, é o começo Ano Litúrgico católico.


Neste ano, começou no dia 27 de novembro e o último domingo do Advento será em 18 de dezembro.


Nos templos e casas são colocadas as coroas de Advento e a cada domingo é acesa uma vela. Do mesmo modo, os paramentos do sacerdote e as toalhas do altar são roxas, como símbolo de preparação e penitência.

AciDigital]

6 reflexões extraordinárias do Papa Francisco sobre o Jubileu da Misericórdia recém-terminado

"O nome de Deus é misericórdia... Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis... A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores"

6 reflexões extraordinárias do Papa Francisco sobre o Jubileu da Misericórdia recém-terminado



A jornalista Stefania Falasca, do jornal italiano Avvenire, entrevistou o Papa Francisco a respeito do encerramento do Jubileu da Misericórdia e da busca da união entre os cristãos.

Confira alguns trechos, com destaque para 6 reflexões inspiradoras:

“O Omnipotente tem péssima memória. Quando Ele perdoa você, Ele se esquece do seu pecado”
Quem descobre que é muito amado começa a sair daquela solidão ruim, daquela separação que leva a odiar os outros e a si mesmo. Eu espero que muitas pessoas tenham descoberto que são muito amadas por Jesus e tenham se deixado abraçar por Ele. A misericórdia é o nome de Deus e é também a “fraqueza” dele, o ponto fraco dele. A misericórdia de Deus o leva sempre ao perdão, a esquecer os nossos pecados. Eu gosto de pensar que o Omnipotente tem uma péssima memória. Quando Ele perdoa você, Ele se esquece [do seu pecado]. Porque Ele é feliz em perdoar. Para mim, isso basta. Assim como para a mulher adúltera do Evangelho, “que muito amou”. “Porque Ele muito amou”. Todo o cristianismo está aqui.

“Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis”
Jesus não pede grandes gestos, apenas o abandono e o reconhecimento. Santa Teresa de Lisieux, que é doutora da Igreja, na sua “pequena via” para Deus, indica o abandono da criança, que adormece sem reservas nos braços do seu pai, e lembra que a caridade não pode permanecer fechada no fundo. Amor a Deus e amor ao próximo são dois amores inseparáveis.

“O nome de Deus é misericórdia (Bento XVI)”

[O Jubileu] Foi um processo que amadureceu no tempo, por obra do Espírito Santo. Antes de mim, houve São João XXIII que, com a Gaudet mater Ecclesia, no “remédio da misericórdia”, indicou o caminho a seguir na abertura do Concílio; depois, o Bem-aventurado Paulo VI, que, na história do Samaritano, viu o seu paradigma. Depois, houve o ensinamento de São João Paulo II, com a sua segunda encíclica, Dives in misericordia, e a instituição da Festa da Divina Misericórdia. Bento XVI disse que “o nome de Deus é misericórdia”. São todos pilares. Assim, o Espírito leva adiante os processos na Igreja, até o cumprimento.

“A Igreja existe somente como instrumento para comunicar às pessoas o desígnio misericordioso de Deus”
Fazer a experiência vivida do perdão que abarca a família humana inteira é a graça que o ministério apostólico anuncia. A Igreja existe somente como instrumento para comunicar às pessoas o desígnio misericordioso de Deus. No Concílio, a Igreja sentiu a responsabilidade de estar no mundo como sinal vivo do amor do Pai. Com a Lumen gentium, ela voltou para as fontes da sua natureza, ao Evangelho. Ele desloca o eixo da concepção cristã de um certo legalismo, que pode ser ideológico, à Pessoa de Deus que se fez misericórdia na encarnação do Filho. Alguns continuam não compreendendo, ou branco ou preto, mesmo que seja no fluxo da vida que se deve discernir. O Concílio nos disse isso. Os historiadores, porém, dizem que um Concílio, para ser bem absorvido pelo corpo da Igreja, precisa de um século… Nós estamos na metade.

“Quanto às opiniões, sempre é preciso distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não há um mau espírito, elas também ajudam a caminhar”

O próprio Jesus reza ao Pai para pedir que os seus sejam uma coisa só, para que assim o mundo creia. É a Sua oração ao Pai. Desde sempre, o bispo de Roma é chamado a conservar, a buscar e servir essa unidade. Sabemos também que não podemos curar por nós mesmos as feridas das nossas divisões, que dilaceram o corpo de Cristo. Portanto, não podem ser impostos projectos ou sistemas para voltarmos a estar unidos. Para pedir a unidade entre nós, cristãos, só podemos olhar para Jesus e pedir que o Espírito Santo atue entre nós. Que seja Ele que faça a unidade. No encontro de Lund com os luteranos, eu repeti as palavras de Jesus, quando diz aos seus discípulos: “Sem mim, vocês não podem fazer nada”. O encontro com a Igreja Luterana em Lund foi um passo a mais no caminho ecuménico que iniciou há 50 anos e em um diálogo teológico luterano-católico que deu os seus frutos com a Declaração Comum, assinada em 1999, sobre a doutrina da Justificação, isto é, sobre como Cristo nos torna justos salvando-nos com a Sua Graça necessária, ou seja, o ponto a partir do qual tinham partido as reflexões de Lutero. Portanto, voltar ao essencial da fé para redescobrir a natureza daquilo que nos une. Antes de mim, Bento XVI tinha ido para Erfurt e ele tinha falado cuidadosamente sobre isso, com muita clareza. Ele tinha repetido que a pergunta sobre “como eu posso ter um Deus misericordioso?” tinha penetrado no coração de Lutero e estava por trás de toda a sua busca teológica e interior. Houve uma purificação da memória. Lutero queria fazer uma reforma que devia ser como um remédio. Depois, as coisas se cristalizaram, se misturaram aos interesses políticos da época, e acabou-se no cuius regio eius religio, pelo qual era preciso seguir a confissão religiosa de quem tinha o poder. Eu sigo o Concílio. Quanto às opiniões, sempre é preciso distinguir o espírito com o qual são ditas. Quando não há um mau espírito, elas também ajudam a caminhar. Outras vezes, logo se vê que as críticas são feitas aqui e ali para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com mau espírito para fomentar divisão. Logo se vê que certos rigorismos nascem de uma falta, de querer esconder dentro de uma armadura a própria triste insatisfação. Se você assistir ao filme “A festa de Babette”, há esse comportamento rígido.

“Todo proselitismo entre cristãos é pecaminoso. A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores”

Servir aos pobres significa servir a Cristo, porque os pobres são a carne de Cristo. E, se servimos aos pobres juntos, isso significa que nós, cristãos, nos reencontramos unidos ao tocar as chagas de Cristo. Eu penso no trabalho que, depois do encontro de Lund, a Cáritas e as organizações de caridade luteranas podem fazer juntas. Não é uma instituição, é um caminho. Certos modos de contrapor as “coisas da doutrina” às “coisas da caridade pastoral”, ao contrário, não estão de acordo com o Evangelho e criam confusão. A Declaração Conjunta sobre a Justificação é a base para poder continuar o trabalho teológico. O estudo teológico deve seguir em frente. Há o trabalho que está sendo feito pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O caminho teológico é importante, mas sempre junto com o caminho de oração, fazendo, juntos, obras de caridade. Obras que são visíveis. A unidade não se faz porque nos colocamos de acordo entre nós, mas porque caminhamos seguindo Jesus. E caminhando por obra daquele que seguimos, podemos nos descobrir unidos. É o caminhar atrás de Jesus que une. Converter-se significa deixar que o Senhor viva e opere em nós. Assim, descobrimos que nos encontramos unidos também na nossa missão comum de anunciar o Evangelho. Caminhando e trabalhando juntos, percebemos que já estamos unidos no nome do Senhor, e que, portanto, não somos nós que criamos a unidade. Percebemos que é o Espírito que nos impele e nos leva para a frente. Se você é dócil ao Espírito, será Ele que irá lhe dizer o passo que pode dar. O resto é Ele quem faz. Não podemos ir atrás de Cristo se Ele não nos leva, se o Espírito não nos impulsiona com a Sua força. Por isso, é o Espírito o artífice da unidade entre os cristãos. É por isso que eu digo que a unidade se faz caminhando, porque a unidade é uma graça que se deve pedir, e também porque eu repito que todo proselitismo entre cristãos é pecaminoso. A Igreja nunca cresce por proselitismo, mas “por atracção”, como escreveu Bento XVI. O proselitismo entre os cristãos, portanto, é em si mesmo um pecado grave. Porque contradiz a própria dinâmica de como nos tornamos e permanecemos cristãos. A Igreja não é um time de futebol que busca torcedores. O encontro de Lund, assim como todos os outros passos ecuménicos, também foi um passo à frente para levar a compreender o escândalo da divisão, que fere o corpo de Cristo e que, também diante do mundo, não podemos nos permitir. Como podemos dar testemunho da verdade do amor se brigamos, se nos separarmos entre nós? Quando eu era criança, não se falava com os protestantes. Havia um sacerdote em Buenos Aires que, quando os evangélicos vinham rezar com as barracas, ele mandava o grupo de jovens queimá-las. Agora, os tempos mudaram. O escândalo deve ser superado simplesmente fazendo as coisas juntos, com gestos de unidade e de fraternidade.

origem: http://pt.aleteia.org/