sábado, 28 de fevereiro de 2026

Converter-se não significa privar-se, mas libertar-se!




O tempo voa, e muitas vezes sentimo-nos sem fôlego quando chegamos aos nossos compromissos agendados. Este ano não é exceção, e foi assim que entramos na Quaresma.

A Quaresma é um tempo poderoso de conversão do coração, da mente e de toda a pessoa, de desprendimento das nossas paixões. Um tempo para viver com calma, mais consciente e mais altruísta.

Por isso o Jejum. O jejum, obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, não é uma prática ascética com o objetivo de obter qualquer coisa ou favor de Deus. Pelo contrário, os cristãos jejuam porque Deus já nos deu tudo.

Retirar a comida da mesa serve, sobretudo, para nos examinarmos e percebermos que somos habitados por outras fomes e necessidades que muitas vezes sufocamos com o consumo material e com a nossa pressa habitual.

E nada tem a ver com a obtenção de um corpo escultural. O jejum quaresmal visa o fortalecimento do espírito, enquanto a dieta visa o emagrecimento do corpo. Existem duas perspetivas, uma interna e outra externa. Uma diz respeito à nossa relação com Deus, a outra à imagem que desejamos deixar nos outros.

A Quaresma não exige necessariamente um aumento da quantidade de orações, mas sim uma melhoria da sua qualidade.

A oração deve ser um trabalho interior sério que dá mais vida à existência, e não uma fuga à realidade. Este dinamismo interior encontra a sua realização natural na caridade concreta.

«Se o jejum nos liberta dos nossos apetites e a oração nos expõe à voz de Deus, o resultado é um coração mais generoso, impelido a partilhar quem somos e o que temos com os outros.» (Frei Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia.)

Jejuar é afirmar que podemos viver do essencial, que o homem não vive apenas de pão e de bens materiais, por mais necessários que sejam, mas tem a liberdade de não equiparar a felicidade à posse de tudo.

Renunciar a alimentos desnecessários e à acumulação de bens não é um fim em si mesmo, nem é prova de domínio pessoal, como poderia ser para um atleta. É, antes, um caminho para regressar ao Senhor, para viver em amor por Ele e pelos irmãos.

«Converter-se durante a Quaresma não significa privar-se, mas libertar-se». (Cardeal Matteo Maria Zuppi


Paulo Victória


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

E que tal um empurrãozinho?



Já sentiste que gostavas que te empurrassem em vez de seres tu a empurrar?

Não te cansas? Não te cansas de bater às portas, de procurar, de perguntar e parecer que as coisas não acontecem?

Eu sim!

Parece que é tudo arrancado a ferros e que as conquistas que temos, aparentam ser naturais, mas são fruto de muito trabalho e luta. Gostava que certas coisas fossem mais fáceis de conseguir.

Queres um emprego melhor e até tens muitos amigos mas…parece que não estão na hora certa nem no lugar exato.
Queres uma oportunidade de mostrar o que sabes, mas parece que só tu é que vês e tens de lutar para ter “voz, ter vez, lugar”.
Queres marcar um encontro, mas as pessoas não têm tempo, vontade ou o que quiserem e tens de insistir e quase pedir para teres um pouco de atenção.

Parece que tudo é difícil ao ponto de querer gritar de frustração, ou, por outro lado baixar os braços de desânimo.

De vez em quando sabe bem quando algumas coisas nos aparecem como numa bandeja. Que nos surjam oportunidades dignas, que nos façam propostas justas, que nos reconheçam pelo valor que temos e não só pelo valor que lhes poderemos dar.

Andamos tão distraídos com o nosso umbigo que também nos esquecemos de dar aquele “empurrãozinho” a alguém. Uma palavra de ânimo, uma mensagem, uma recomendação ou uma sugestão que sabe a empurrão e sabe tão bem!

Mas hoje, hoje estou, cansada de empurrar… amanhã… amanhã volto!

E tu, amiga, que empurrão sentes que precisas de ter?


Raquel Rodrigues

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

No meio de mim, estás tu





Dentro do meu coração, estás tu. Acredito que, dentro do teu coração, esteja eu. Em cada um de nós está também Deus, porque nos ama. E, do mesmo modo, nós estamos no coração de Deus.

O pedaço de Deus que está em mim também vai quando me dou a alguém. Dou o que sou, o que tenho e o que há de mais profundo em mim.

Se sou amado por alguém, essa pessoa dá-se a mim, e eu fico com um pedaço do seu coração no meu. Depois, quando amo alguém, entrego-lhe um pedaço do meu coração, com tudo o que nele habita.

O meu pai amou-me, deu-se muito a mim, tanto que eu também sou ele, muito. Quando amo alguém, é também o meu pai que ama, porque, apesar de já não estar neste mundo, vive, bem vivo, dentro de mim e vai também quando entrego o meu coração.

Morrer é levar um pouco de todos os que nos amaram, mas também é continuar a viver naqueles que guardam em si o que lhes demos de nós.

Importa amar e abrir o nosso coração ao amor do outro. O preço é alto: temos de sofrer, porque nem sempre seremos bem recebidos e nem todos aqueles a quem abrimos o coração nos querem fazer bem.

A verdade é que também nós, muitas vezes, por razões e emoções confusas, não aceitamos o amor de todos, nem a todos queremos dar o melhor de nós.

Só com amor se perdoa. Perdoar é uma das formas mais sublimes de amar. No mais profundo de mim estão os perdões. Os teus e os de quem, como tu, me amou a esse ponto!


José Luís Nunes Martins


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Gestos que salvam




Há gestos que não pesam, que não fazem barulho ou fogo-de-artifício, mas que ficam. Tatuam-se em nós. E têm o dom de nos salvar.

Como se fossem o pulsar secreto que mantém o nosso mundo em pé.

Um abraço que chega como refúgio e que demora o tempo certo para o nosso coração serenar.

Uma mão que se dá como quem dá o coração: com a certeza de que, aconteça o que acontecer, vai estar sempre perto de nós.

Um olhar que nos encontra e que vê tudo o que somos, mesmo quando nós nos perdemos.

Um sorriso tão breve e tão capaz de nos arrebatar para sempre.

Uma palavra que nos conforta e um silêncio que abraça (e que escuta) o nosso coração.

Um “como estás?” que se importa e que quer escutar, de verdade, a nossa resposta.

Uma mensagem só para nos mostrar que se lembra de nós, só para nos fazer sorrir.

Uma companhia que parece que nos segura a alma, que faz tudo melhorar, só porque está ali.

Alguém que nos quer bem e que nos faz sempre sentir isso, mesmo sem ser preciso dizer.

Um pequeno gesto de bondade que ilumina o nosso dia inteiro e que nos inunda o coração de esperança.

É aí. É aí que se escondem as coisas mais bonitas, é aí que acontecem os maiores milagres. É aí que o nosso coração é tocado para sempre. Nesses pequenos gestos que são só o amor a abraçar-nos. E que têm sempre o dom de nos salvar.

Como se fossem o pulsar secreto que mantém o nosso mundo em pé.

É isso, o amor.

Esse sopro invisível que passa e que nos envolve como o abraço que precisamos, o colo que nos falta, o refúgio que procuramos. E que tem sempre o dom de nos salvar.

Como se fosse o pulsar secreto que mantém o nosso mundo em pé.

E é.


Daniela Barreira


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Escolhe a Vida. Escolhe Amar Mais.





“O que é bom… ou é pecado ou engorda.”
Muita gente pensa o mesmo da fé. Que ser cristão é viver limitado.
Que Deus proíbe o que dá prazer. Que a religião é uma lista de “nãos”.
Mas deixa-me dizer-te uma coisa: isso não é cristianismo.
Deus não impõe. Deus propõe.
“Se quiseres, guardarás os mandamentos.” Se quiseres.
Diante de ti estão a vida e a morte. E Deus respeita-te tanto
que te deixa escolher.
Os mandamentos não são uma prisão.
São proteção. São mapa. São caminho para uma vida maior.
Jesus vai mais fundo. Ele não quer o mínimo.
Ele quer o máximo do amor. “Não matarás.”
E tu pensas: “Eu nunca matei ninguém.”
Mas já feriste alguém com palavras? Já destruíste alguém com desprezo?
Já espalhaste um boato? Já insultaste no silêncio do coração?
Pode-se matar sem tocar. Pode-se matar com a língua.
Com a indiferença. Com a humilhação.
Depois, Jesus fala do adultério. E vai à raiz: ao olhar. À intenção.
Ao coração. O outro não é objeto. Não é consumo. Não é posse.
É pessoa. É mistério. É dom.
Se não cuidas do teu olhar, o teu coração adoece.
E o que entra no coração acaba por moldar a tua vida.
E depois: “Sim, sim. Não, não.” Sem “nim”.
Sem duplicidade. Sem meias-verdades. Num mundo cheio de aparências,
Jesus chama-te à autenticidade. Não à perfeição. Mas à verdade.
Escolhe o que te faz crescer. Escolhe o que constrói. Escolhe o que dá vida.
E vais descobrir uma coisa surpreendente: O que é verdadeiramente bom
não é pecado nem engorda — dá vida.

Padre João Torres

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Quando largo, descubro quem sou!



Não sou os nomes que me deram,
os cargos que ocupo,
as histórias que aprendi a contar sobre mim...
Sou um silêncio vivo.
Uma presença suave.
Algo que respira antes das palavras.

Não sou as opiniões.
Não sou as crenças herdadas, nem os medos aprendidos.

Sou o espaço onde tudo acontece.
Sou o olhar por trás dos olhos.
Sou o sentir antes do pensamento.
Sou o intervalo entre uma respiração e outra.

Quando deixo cair as máscaras,
descubro que não preciso provar nada.Não preciso chegar a lugar algum. Já estou.

Há em mim uma quietude antiga,
uma inteligência silenciosa,
que sabe que o coração bate sem pedir permissão à mente.

A minha alma não grita.
Ela sussurra.
Ela vive nos momentos simples e sei que volto para mim, não quando adiciono, mas quando retiro.

Retiro camadas.
Retiro expectativas.
Retiro identidades.
Até restar apenas presença.

E nessa presença,
descubro que nunca estive perdida;
apenas distraída do essencial.

A vida insiste em mostrar-me a beleza de toda a aprendizagem. Descubro uma presença maior que me acompanha: entrego, confio e deixo que o divino permaneça em mim.

Boa semana!


Carla Correia

domingo, 22 de fevereiro de 2026

QUARESMA: Tempo de conversão e de renovação

 

https://www.youtube.com/watch?v=QOjhyHXGVS4



No início do caminho quaresmal, a liturgia convida-nos a repensar as nossas certezas, as nossas opções, os nossos valores. Tempo de conversão e de renovação, a Quaresma é o momento favorável para nos reaproximarmos de Deus. É em Deus – e não noutras propostas, por mais encantadoras que sejam – que está a fonte da vida verdadeira.

Na primeira leitura a catequese de Israel esboça, em grandes linhas, o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Deus criou-nos para a felicidade e mostrou-nos como viver para alcançar a vida verdadeira. Contudo, enquanto seres livres, temos de ser nós a fazer a nossa opção fundamental. Se decidirmos abraçar as indicações de Deus, conheceremos uma felicidade sem limites e uma plena realização; mas, se optarmos por dar ouvidos à tentação do egoísmo, da autossuficiência, da prepotência, da ganância, viveremos rodeados de coisas efémeras, vazias, que nunca saciarão plenamente a nossa sede de felicidade.De onde vimos? Para onde vamos? Porque é que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? São perguntas eternas, que os homens e mulheres de todos os tempos constantemente colocam. A Palavra de Deus que hoje nos é oferecida responde: é Deus a nossa origem e o nosso destino último. Não somos um minúsculo e insignificante grão de areia à deriva numa galáxia qualquer; mas somos seres cuja existência Deus planeou, que Ele modelou com amor, a quem Ele animou com o seu próprio “sopro” de vida, a quem Ele ofereceu um destino de eternidade. O fim último da nossa existência não é o fracasso, o mergulho na absoluta escuridão, a dissolução no nada; mas é a vida definitiva, a felicidade sem fim, o encontro com Deus. É esse horizonte de vida eterna e de comunhão plena com Deus que temos diante dos olhos enquanto peregrinamos na terra? Que marca é que isso deixa na forma como vivemos o nosso dia a dia?

Na segunda leitura
, o apóstolo Paulo coloca diante de nós dois exemplos, dois modelos de vida, dois homens: Adão e Jesus. Adão representa o homem que optou por ignorar as propostas de Deus e decidir, por ele próprio os caminhos que deveria percorrer para se realizar plenamente; Jesus é o homem que decidiu escutar as indicações de Deus, obedecer aos projetos de Deus, percorrer o caminho que Deus Lhe indicava, mesmo se esse caminho tivesse de passar pela cruz. A desobediência de Adão trouxe ao mundo egoísmo, sofrimento e morte; a obediência de Jesus tornou-se, para o mundo e para todos os homens, uma fonte inesgotável e amor, de graça e de vida.Deus respeita a nossa liberdade. Aceita que construamos as nossas vidas sem atendermos às suas indicações, suporta até as nossas escolhas erradas. No entanto, nunca desiste de nós. Decidido a dar-nos todas as oportunidades, insiste uma e outra e outra vez… na esperança de que reconsideremos as nossas opções e escolhamos caminhos que conduzem à vida verdadeira. Numa decisão que mostra bem a profundidade do amor que nos tem, enviou-nos o seu Filho, Jesus. Jesus obedeceu ao Pai e veio ao nosso encontro, fez-se um de nós, partilhou a estrada em que andamos, lutou contra tudo o que nos faz mal, aceitou morrer para nos mostrar o caminho que conduz à vida. Considerando tudo isto, seremos capazes de continuar a preferir caminhos de orgulho e de autossuficiência, à margem de Deus? Que valor assumem, na construção da nossa vida, as propostas que Jesus nos veio trazer?

No Evangelho, o Evangelista Mateus propõe-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Ele recusou sempre as propostas e os valores que punham em causa o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Para Jesus, os valores de Deus tiveram sempre primazia sobre os bens materiais, a embriaguez oferecida pelo êxito fácil, a sede de poder. Aos seus discípulos Jesus pede que sigam um caminho semelhante. Começamos, nestes dias, a percorrer um caminho, o caminho quaresmal. É o caminho que nos conduz à Páscoa, à ressurreição, à vida nova. Ao longo desse caminho seremos convidados a analisar, com lucidez e sentido de responsabilidade, as nossas opções, as nossas prioridades, os nossos valores, o sentido da nossa vida… Este tempo poderá ser um tempo de conversão, de realinhamento, de renovação, de mudança; poderá ser a oportunidade para nos reaproximarmos de Deus e das propostas que Ele nos faz. A Palavra de Deus que escutaremos cada domingo ajudar-nos-á a perceber o sem sentido de algumas das nossas escolhas e a detetar alguns dos equívocos em que navegamos. Aceitamos o desafio de percorrer este caminho? O Evangelho deste domingo refere algumas das “tentações” que Jesus teve de enfrentar e vencer. Estamos dispostos, da nossa parte, a identificar as “tentações” que nos escravizam e nos impedem de viver uma vida mais digna, mais humana, mais repleta de sentido e de esperança? Quais são as “tentações” que, com mais frequência, nos afastam do estilo de vida e do projeto de Jesus?


https://www.dehonianos.org/

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Festival Terras sem Sombra- Arronches


 

Entre a esperança e o desespero.



A palavra central destes tempos é a Esperança como atitude que qualquer cristão deve cultivar, a par da virtude da fé e da caridade. Mas o que é isto de ter Esperança????

Esta esperança cristã “que não nos engana” põe-nos à prova muitas vezes quebrando a nossa confiança e levando-nos, algumas vezes, muito perto do desespero.

Vou ser muito franca, é muito difícil dar razões para a Esperança quando tu estás numa situação difícil. Quando tens um problema que não consegues resolver, uma doença, instabilidade económica ou qualquer outra coisa que te perdura no tempo e que demora a resolver, diz-me: como mantemos acesa a luz da Esperança?

Quando rezamos, pedimos, falamos e tentamos manter a dignidade de sermos a nossa melhor versão de nós mesmos e mesmo assim sentimos que nunca é a nossa vez de termos o sucesso e a tranquilidade que tanto gostaríamos, diz-me: como mantemos a luz da Esperança?

Não falo em situações esporádicas, nem de fácil resolução, mas de processos que duram mais tempo do que o que gostaríamos e nos testa a virtude da esperança. Rezamos, confiamos e esperamos que algo mude e se transforme, mas parece difícil! Começa a surgir a nuvem do desânimo e perguntamos: Senhor, então e eu?

É que a Esperança deve implicar a concretização. Quando Esperas, sabes o que esperas, desejas o que esperas e sabes que a Espera acaba com o cumprimento do propósito que te fez esperar. Certo? Mesmo que o resultado final não seja o esperado, precisamos de fechar esse ciclo e criar novos projetos, começar outra Espera.

Precisamos de sentir entusiasmo e alegria, mas às vezes a nossa Esperança esvai-se pois cansamo-nos de acreditar no bom senso, nos amigos que parecem desistir de nós e até em nós mesmos. A linha torna-se muito ténue e sentes-te defraudada…mas sabes amiga, a tua espera pode nem ter valido a pena, mas a Esperança Cristã, essa vale! No entanto, acredito que a Esperança tem de se materializar em atos de amor concretos sob pena de ser apenas mais uma palavra “que leva o vento” e de parecermos vendedores a algo em que não acreditamos. Haja sinais concretos de Esperança.


E tu, amiga, como vais materializar a Esperança nos outros?


Raquel Rodrigues

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

‘DE ANDARILHOS SEM RUMO A SENTINELAS VIGILANTES’



Este mundo admirável tem mesmo razões para estar agoniado! Corrupção de snobs, príncipes, líderes e ‘meninos’ bem, ambições imperialistas, promoção do caos, desrespeito do Direito assumido, sabotagens provocadoras, ciberataques, apagões, desinformação, desprezo, ódios, intrigas, libertinagem, escândalos, racismo, instabilidade, discursos gritados, insonsos e crispados, autorreferencialidade, violência familiar e social, banalização do respeito mútuo, guerras intermináveis e outras a espreitar, mortes sem fim...
Que bom seria se o avanço das ciências e das artes, da educação e do bom senso, das sensibilidades e dos gostos contribuíssem, sim, para fazer surgir uma natural e comum urbanidade e uma nova ordem política, social e económica, que servisse cada vez mais e melhor, que permitisse afirmar e desenvolver a dignidade própria de cada pessoa, de cada grupo, de toda a comunidade humana, privilegiando a cultura da paz e da justiça, da solidariedade e da fraternidade, da diversidade na coesão!
Quando o homem se enche de nove horas pelo que tem, produz e desenvolve, julgando ter o seu deus na barriga; quando, deslumbrado, deixa trepar aos pirolitos que o importante é ter poder e em quem mandar, nem que seja numa cabra; quando, seja lá pelos meios que for, alcança esse tal poder, facilmente se esquece de onde vem e para onde vai. Logo descarrila para becos sombrios e insalubres, optando por uma vida sem rumo nem limites para desgraça de si próprio e de muitos. Mui rapidinho, logo se confirma a monumental sabedoria do povo: “se queres ver o vilão, mete-lhe a vara na mão! Será muito pior que um macaco numa loja recheada de louça! Muito pior que uma raposa faminta num galinheiro abastecido, sempre com mais olhos que barriga, pois até mata mais do que come! A História da humanidade, se é rica em tais exemplos, não o é menos em amnésias sobre essas realidades. Logo esquece o mal estar e os sacrifícios que passou, teimando em voltar ao mesmo sítio ou situação, apanhando ainda mais e com mais força. A sua memória é muito mais que curta, é curtíssima, é memória de peixe dourado! No entanto, mesmo que o homem desconfie dos outros homens, queira dominá-los e os faça sofrer, mesmo que até desconfie do próprio Deus, Deus, porém, na sua paciência infinita, não lhe tira o tapete de debaixo dos pés nem o despede, continua a acreditar nele e na sua liberdade. Deseja que cada um seja feliz e a cada um veio dizer que ele, o homem, do que mais precisa é de Salvação. Foi por causa da Salvação do homem que Jesus, num gesto de amor de Deus Pai para connosco, veio até nós e por nós se ofereceu. Amou-nos até ao fim, na cruz! Salvou-nos e quer que todos nos salvemos e sejamos, desde já, cidadãos do seu Reino de Justiça, de amor e de paz, onde tem preparado para aqueles que o amam o que nem sequer conseguimos imaginar (cf. 1Cor 2,9).
Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia, no passado Advento afirmava que, para isso, não podemos ser “andarilhos sem rumo”, mas “sentinelas que, na noite do mundo, mantêm humildemente a sua fé”. A humanidade não deveria esquecer "a necessidade da Salvação”. Não deveria preocupar-se tanto em cuidar as aparências da sua imagem. Não deveria diminuir a radicalidade do Evangelho nem ignorar “a direção para a qual o Reino de Deus continua a mover-se dentro da história”. Não deveria desprezar a importância desse “dom da Salvação universal que a Igreja humildemente celebra e oferece”. A Humanidade não quer mesmo entender!
E ninguém está isento ou acima deste jeito contumaz da humanidade. É por isso que a Quaresma é tempo de avaliação e discernimento. É contraproducente reduzir a fé a uma mera ética, esvaziando-a da sua dimensão transcendental, do seu encontro com Cristo, do viver em graça, permanecendo no pecado. É desaconselhado reduzir a liturgia em que se participa a uma simples cerimónia, despida de ato de culto e de santificação própria, sendo apenas apreciada e aplaudida como um mero show, à qual se assiste sem se participar, ou contra ela se vocifera porque foi uma seca quando a seca pode estar dentro de quem assim reclama. É contraindicado reduzir a vida cristã a moralismos, a um conjunto de regras, proibições e comportamentos alicerçados mais no fazer do que no ser, mais no cumprimento farisaico do que na transformação interior pela graça, pensando que os outros, os não cumpridores, é que têm de bater com a mão no peito. É inútil haver admiradores de quem pratica a caridade, se, também por esse testemunho, tais admiradores não são capazes de levar as mãos aos próprios bolsos para também partilharem com os pobres ou causas nobres. A caminhada quaresmal, a conversão, pede a renovação constante da própria vida.
Esta renovação quaresmal passa:
--- Pela escuta da Palavra de Deus, pois há “um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza”.
--- Pela oração, alicerce da conversão, da intimidade com Deus, da resistência ao pecado, da preparação para a Páscoa.
--- Pelo jejum, abstinência e outras formas de privação, as quais constituem “uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra” e a pô-la em prática, inclusive, evitando o desperdício de energia, água e alimentos, e cultivando a delicadeza na linguagem: “na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”.
--- Pela esmola, fruto da generosidade, do jejum, da abstinência e doutras privações que se fazem para partilhar com os pobres ou com outras causas nobres, sem esquecer que a melhor esmola é dar-se.

D.Antonino Dias
Caminha, 20-02-2026.

Somos pobres de amor



Quem de entre nós se reconhece como carente, como mendigo da atenção e do amor do outro?

É muito mais comum encontrar pessoas que julgam bastar-se a si mesmas, que dizem amar os outros e amar-se a si próprias, sem assumirem a falta de serem amadas.

A miséria de precisar do amor do outro é algo que faz parte da nossa natureza e é como uma força que nos aponta o caminho da felicidade. Se não me sentir amado, jamais serei feliz. Por muito que ame.

Claro que ninguém se ama a si mesmo. Isso é uma contradição, um egoísmo com um nome agradável ao ouvido. Quem se dá a si mesmo não se dá a mais ninguém, até porque nunca se dará por satisfeito: é como beber água salgada para matar a sede. Amar é ser um meio para a felicidade de um outro, diferente de mim, construindo, em comunhão, algo que nenhum de nós alcançará sozinho.

Posso e devo cuidar de mim antes de me entregar a alguém, não por amor a mim, mas por amor ao outro.

Para ser amado preciso de ser humilde, para me abrir a esse bem que me chega de fora. Os orgulhosos não são felizes, também porque não se deixam amar, talvez por se julgarem acima dessa necessidade.

O que os egoístas e os orgulhosos não sabem é que, sem amar e ser amado, nunca ninguém foi feliz.

É essencial que cada um de nós estenda as mãos do seu coração e, com humildade, reconheça o amor de quantos nos amam. Alguns bem diante de nós, outros a partir de onde não podemos ver… mas podemos sentir.


José Luís Nunes Martins

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

E tu, que lugar ocupas no mundo?




Esta pergunta é em primeiro lugar para mim própria porque, se calhar, não procuro uma resposta tantas vezes quanto deveria!

É que tantas vezes nos limitamos à nossa pequenina existência, ao nosso mundinho que preenche um dia a seguir a outro, com as nossas questões e inquietudes, com a nossa rotina, com o nosso núcleo; que acabamos por não expandir a consciência para a verdadeira dimensão do que nos rodeia.

E entretanto o tempo passa e corre veloz...e quando damos por isso é impactante!

Há uma frase dita, por um sábio certamente, que ressoa na minha mente muitas vezes:

"Não é só sobre ser luz e sim sobre iluminar caminhos" e que tiro daqui é que bons corações precisam-se, cada vez mais, particularmente num mundo de tanta maldade e escuridão mas têm de se materializar em acções.

Sairmos do nosso ninho para o mundo, olhar, refletir, orar e fazer, torna-nos mais humanos e provavelmente mais felizes. Um pequenino passo, faz a diferença, mesmo que nos pareça que não.
Termino com algo tão bonito dito por Baden Powell, fundador do escutismo:

"Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste..."


Lucília Miranda


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quaresma 2026 – Mensagem de D. Pedro Fernandes, Bispo de Portalegre-Castelo Branco

 



Caríssimas irmãs, caríssimos irmãos da Diocese de Portalegre-Castelo Branco:

Eis-nos chegados a um novo tempo de Quaresma, que se apresenta como uma nova oportunidade para parar e pôr em ordem a nossa vida. É tempo de reencontro com Cristo morto e Ressuscitado, reorientando a nossa vida, pessoal e eclesial, para o essencial: o Mistério de um Deus de Amor que assumiu a nossa humanidade até ao limite de dar a vida e, entregando-se ao Pai, transformar a morte (em todas as suas formas) em oportunidade de vida em plenitude, na comunhão com o Pai. É, na verdade, o grande dom de amor que restaura e reconcilia as pessoas consigo mesmas, umas com as outras e com Deus: restabelece e potencia, até ao infinito de Deus, a comunicação autêntica, as relações que constroem, a integração das diversidades numa unidade que tudo harmoniza e reorienta em Deus.

Precisamos de voltar a essa unidade. Para isso, a tradição viva da Igreja, fundada na Palavra de Deus, propõe-nos meios concretos para equilibrar a saúde da nossa relação connosco próprios, da nossa relação com os outros e da nossa relação com Deus, sendo que cada uma destas dimensões se entrelaça com as outras: exigem-se mutuamente e só nessa articulação integrada podem verdadeiramente funcionar.

Deixando-nos inspirar pela bela mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma, poderemos reencontrar-nos com a escuta da Palavra e com o jejum de tudo o que nos impede de comunicar bem, valorizando, nessas atitudes, os três grandes exercícios quaresmais: jejum, partilha e oração.


Pelo jejum, mais gratidão


O mundo contemporâneo e a conjuntura nacional e internacional recente apresentam desafios imensos, muitas vezes portadores de desalento e sofrimento. Precisamos de criar espaço em nós para nos tornarmos mais capazes de descobrir os dons que Deus nos concede e que habitam a nossa vida, assim como as oportunidades de crescimento pessoal e comunitário. Jejuar é também reduzir tudo aquilo que constitui ruído na nossa vida, equilibrando de modo assertivo os meios de que dispomos para acolher os dons que nos constroem: o Papa sugere-nos um jejum de palavras que ferem e dificultam a comunicação.

Talvez possamos introduzir um “menos” no que se refere ao recurso desenfreado às redes sociais: elas são um recurso valioso (veja-se o seu desempenho, por exemplo, na divulgação da informação e na mobilização para a ajuda, aquando das recentes calamidades), mas também são tantas vezes usadas num excesso que pode ir até ao ponto de não nos libertarem para relações mais autênticas, mas nos aprisionarem em dependências consumistas, que reduzem o outro a objeto de conexões superficiais e fugazes. Precisamos também de impor um “menos” na pressa e na correria desenfreada e um “mais” na gestão do tempo de qualidade, que nos forma e aproxima dos outros.

Jejuar de tudo o que nos confunde e impede de sermos mais nós mesmos, percebendo que os nossos apetites não são o centro e o critério decisivo, mas devem subordinar-se ao dinamismo do amor, tantas vezes exigente e crucificante. Só assim poderemos crescer no reconhecimento de tanto bem que enche a nossa vida e nos abre a janela da esperança: o nosso caminho tem sentido! O jejum deveria fazer-nos crescer na gratidão, colocando um “menos” nos ruídos interiores que não nos deixam escutar com maior nitidez o sussurro de Deus que nos repete: “Amo-te! Vales! Quero que sejas!”


Pela partilha, a Mansidão


Vivemos num mundo demasiado irado: a violência da linguagem e a dureza do coração, o crescimento da indiferença, o aparente sucesso dos grupos populistas que vociferam em discursos de ódio, discriminação e violência contra imigrantes, comunidades minoritárias ou simplesmente gente diferente. A facilidade com que a ira pode inventar culpados para o desconforto que sentimos, quando não permitimos que a gratidão fale mais alto que o ressentimento, gera no seio das nossas comunidades o desequilíbrio das relações e a perda de qualidade na comunicação. Precisamos de pedir ao Príncipe da Paz que nos conceda o dom da sua mansidão, que nos abra aos outros, que nos torne hospitaleiros à Palavra de Deus, que devemos ler e rezar cada dia até ao ponto de a reconhecermos na vida e no rosto de cada irmão. Por aí passa o exercício precioso da “esmola”, da partilha, que nos vai ensinando a colocar um “menos” no “meu” e um “mais” cada vez maior no “nosso”. Este ano, depois de escutar diferentes vozes da nossa diocese, proponho que a nossa renúncia quaresmal se oriente para uma partilha, distribuída em partes iguais, para duas finalidades: o fundo social diocesano, que socorrerá as situações de pobreza e calamidade, como a que temos vivido nas últimas semanas, por ocasião dos temporais que têm flagelado o nosso país; e as vítimas da pobreza e da violência na Terra Santa (Gaza e outras regiões da Palestina), a que faremos chegar a nossa solidariedade mediante a partilha enviada através do Patriarcado Latino de Jerusalém.

A onda de solidariedade que se gerou no país, e também na nossa diocese, em socorro de tantas pessoas em sofrimento por causa das devastações provocadas pelas tempestades recentes, deve inspirar-nos a certeza de que, entre nós, a solidariedade prevalece sobre a indiferença e a mansidão prevalecerá sobre a ira e a violência. Convido a revisitar os lugares das nossas vidas onde ainda é possível crescer para uma maior mansidão, colocando um “menos” no olhar que julga e condena, na palavra usada para ferir e não para curar. Menos agressão, mais esmola de mansidão, gentileza e hospitalidade, na linha do que também nos pede o Papa na sua mensagem.


Pela oração, a Confiança


O mundo contemporâneo, entre tantas conquistas tão boas que alcançou, não conseguiu ainda libertar-se do medo, que é um péssimo conselheiro: gera relações defensivas, sugere movimentos violentos, fechamentos egoístas, portadores de muita esterilidade e frustração. A oração, o outro pilar dos exercícios quaresmais, deverá abrir-nos à escuta de Jesus nas nossas vidas, libertar-nos da rigidez que nos impele a só nos ouvirmos a nós mesmos e nos impede de acolhermos o outro. Talvez possamos pedir ao Senhor, para esta Quaresma, um “mais” em confiança, exercitando um “menos” em posturas rígidas e defensivas, que nos dificultam a escuta a que apela o Papa.

Porque não, neste tempo que nos é dado, valorizarmos mais os tempos pessoais de silêncio e solidão fecunda, com a leitura da Palavra de Deus, priorizando os Evangelhos e os escritos de Paulo?


Enfim, comunicar bem


Para estes quarenta dias que nos são dados viver antes da grande festa da Páscoa, podemos assim partir com uma pergunta: qual a qualidade da minha comunicação? Como está a saúde da minha relação comigo mesmo, com os outros e com o Senhor?

Pelo jejum, pela partilha e pela oração, poderemos propor-nos a acolher de Jesus os dons da gratidão (para lá do que falta, há tanto que já somos!), da mansidão (o outro não é uma ameaça, é um dom que gera oportunidades!) e da confiança (é possível vencer o medo com o dom maior do amor!)

Todos com todos, rezemos para que este tempo de Quaresma seja uma grande oportunidade ganha, para valorizarmos a comunicação assertiva, equilibrando os “menos” e os “mais” que deverão concorrer para uma cada vez maior conversão!


+ Pedro Fernandes

(Bispo de Portalegre-Castelo Branco)

No olho da tempestade



Há, na vida, alturas assim. Em que nos vemos dentro da própria tempestade. Como se também ela fizesse parte de nós. Como se tudo à nossa volta fosse, simplesmente: caos, lama e destruição.

É assim que nos temos visto nas últimas semanas. A braços com uma intempérie externa que nos veio, igualmente, desregular internamente. Também nós parecemos trazer a chuva e o vento connosco, como se o próprio sol (de dentro e de fora) fosse uma miragem ou algo que já nem sabemos se existe.

Podemos pouco contra a natureza.

Podemos pouco contra a vida e os seus desígnios mais ou menos arbitrários.

Quando achamos que controlamos o que acontece, vem algo que nos retira as mãos do leme. Quando damos conta já estamos de cara no chão com a vida agarrada ao nosso pescoço.

Vivemos tempos desafiantes como seres individuais, como portugueses e como humanidade. Valorizámos, e valorizamos, durante demasiado tempo o excesso de trabalho, o ultrapassar de limites, o “passar por cima dos outros” a todo o custo, o egoísmo, a exaltação narcísica e individualista que trucidou o sentido de comunidade global.

Não nos esqueçamos que temos responsabilidades perante os que partilham caminho connosco. Também as temos perante os desconhecidos ou necessitados. E, em último caso, temos também a responsabilidade de cuidar de nós e do que somos.

Afinal, se eu não souber cuidar de quem sou e do que preciso como vou conseguir acender a lanterna para que outros me sigam?

Que saibamos atravessar esta altura tão profundamente instável e triste com a fé de que também isto passará. Como sempre. Como antes. Como daqui para a frente.

Também isto. E isso. Passará.

Marta Arrais

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Quarta- Feira de Cinzas

 


Quarta-feira de Cinzas, início da  Quaresma.
Amanhã, Quarta-feira de Cinzas nos recorda uma verdade simples e profunda: somos pó… e ao pó voltaremos. Mas esse “pó” é amado por Deus.
As cinzas traçadas sobre a nossa fronte não são sinal de derrota, mas de esperança. Elas nos chamam à conversão, ao retorno sincero ao coração do Pai. É o início de um caminho de deserto, silêncio e exame interior. Um tempo de jejum que nos esvazia do orgulho, de oração que nos aproxima do Céu e de caridade que nos faz tocar Cristo no irmão.

Catequista em missão

Não vim revogar mas completar




“A lei foi feita para ser quebrada.”
Ditado popular



Quem quer ser quebrado?

Quem quer viver só por viver?

Excluído da sociedade… excluído de tudo o que faz bem ao corpo e à Alma…

Não ter sol, nem lua. Ser rio sem mar. Malagueta que não pica.

Lágrima que não cai e gargalhada sem som!

Quem quer isso para si próprio?


O melhor da Vida é aquele sabor agridoce de quem não faz, não cumpre, não vai e não quer…

MAS, sabe que o caminho melhor é:

Fazer como Jesus

Cumprir como Maria Santíssima

Ir como o Espírito Santo

Querer ser Santa como a Igreja que O Cristo edificou


Uma vida sem lei é uma vida sem rumo e sem sabor!

É uma vida de um deus que não ama.

Uma vida de um povo que adora tudo, mas não dá dignidade nem respeita a própria Vida.


A coragem de querer, HOJE, viver segundo os Mandamentos da Lei de Deus,

faz de mim e de ti Seres Humanos com um coração capaz de ser alegre.

A alegria é essencial ao corpo.

Uma Alma triste não caminha… não abraça… não fala… não vive.


O que nos dá esse ânimo é a certeza que Deus nos ama até quando não O adoramos,

não O bendizemos, nem santificamos os Domingos e Feriados Santos…


É esta fidelidade ao Amor Divino que desperta em cada um de nós

o Amor por aqueles que partilham a terra connosco.

Só por Deus somos capazes de honrar os antepassados que não mataram, nem roubaram a bela imagem de um Jesus que SE fez Homem para nos salvar.

Um Messias que nos ensinou a verdade com gestos e palavras de carinho.

Um Salvador que completou a lei fria e cega, com Paz e Perdão.



Liliana Dinis

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

NAMORAR É UMA ARTE




O Dia dos Namorados não é apenas a celebração de um sentimento bonito. É, ou deveria ser, a celebração de uma escolha consciente: aprender a amar alguém real.
Como padre, tendo acompanhado tantos casamentos ao longo dos anos — em Angola, Moçambique e Portugal — percebi que tudo começa muito antes do altar. Começa no modo como se namora. No modo como se olha. No modo como se respeita.
Namorar não é possuir.
Não é moldar o outro à nossa medida.
Não é exigir que o outro seja o que imaginámos.
Namorar é aprender a contemplar. É descobrir quem o outro é — e permitir que o seja. Amar alguém é dar-lhe espaço para crescer, para respirar, para continuar a ser inteiro.
Quem ama não sufoca. Sustenta.
Quem ama não controla. Confia.
Quem ama não invade. Acolhe.
Há uma tentação subtil de transformar o amor numa fusão onde dois deixam de existir para se tornarem uma dependência. Mas o verdadeiro amor não apaga identidades. Potencia-as. O amor saudável é aquele em que dois caminham juntos, mas cada um permanece de pé.
Respeitar é amar.
Escutar é amar.
Dar tempo é amar.
Aceitar as diferenças é amar.
Namorar é aprender a linguagem do outro. É perceber que o silêncio também comunica. Que o espaço não é afastamento, mas maturidade. Que a liberdade não ameaça o amor — fortalece-o.
O Dia dos Namorados não devia ser apenas flores e fotografias. Devia ser um exame de consciência doce e sincero:
— Estou a amar ou estou a exigir?
— Estou a respeitar ou a impor?
— Estou a cuidar ou apenas a esperar ser cuidado?
O amor verdadeiro não é dramático nem teatral. É firme. É paciente. É construído em pequenos gestos diários. É saber pedir perdão. É saber esperar. É saber deixar o outro ser quem é — mesmo quando isso não coincide totalmente connosco.
Se estás a namorar, aprende a fazê-lo bem. Não tenhas pressa de chegar a etapas futuras sem consolidar o essencial: respeito, confiança, liberdade interior.
Porque amar alguém não é prendê-lo a nós.
É escolhê-lo — todos os dias — sabendo que ele é livre.
Neste Dia dos Namorados, que o amor seja mais do que emoção.
Que seja maturidade.
Que seja verdade.
Que seja espaço.
Que seja casa — onde dois permanecem, sem deixarem de ser quem são.

Padre João Torres

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Escutar e pôr em pratica

 

https://www.youtube.com/watch?v=BuSx4t-JDvw&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f&index=1


Como devemos responder à oferta de salvação que Deus nos faz? A liturgia do sexto domingo comum propõe-nos algumas respostas. Entre as diversas considerações que as leituras nos trazem, sobressai esta: somos chamados por Deus a um destino transcendente, a uma vocação sublime, a uma felicidade completa e eterna; não podemos, por desleixo, por comodismo, por falta de compromisso, ignorar uma proposta que nos garante a vida em plenitude.

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta o plano salvador de Deus (aquilo a que ele chama a “sabedoria de Deus” ou o “mistério”). É um projeto que Deus preparou desde sempre “para aqueles que o amam”, que esteve oculto aos olhos dos homens, mas que Jesus Cristo revelou com a sua pessoa, com as suas palavras, com os seus gestos e, sobretudo, com o dom da sua vida até ao extremo. Na cruz onde Jesus entregou a vida vemos – ao vivo e a cores – o amor que Deus tem por nós; nesse amor descobrimos o caminho que leva à salvação, à nossa plena realização. A “sabedoria humana” – que Paulo denuncia – não é necessariamente, à priori, algo mau. Só será algo mau se nos atirar para caminhos de orgulho, de vaidade, de autossuficiência. Ora, muitas vezes é precisamente isso que acontece. Convencidos da nossa importância e da excelência das nossas “qualidades”, julgamos que podemos bastar-nos a nós próprios. Afastamo-nos de Deus, ignoramos as suas propostas, construímos a nossa história de vida à volta dos nossos interesses, dos nossos motivos, das nossas convicções pessoais. Os “mandamentos” de Deus tornam-se, para nós, um empecilho que fazemos questão de ignorar. Achamos também que não precisamos dos outros. Tornamo-nos arrogantes com os nossos irmãos, desprezamo-los e fazemos com que o mundo gire apenas à nossa volta. Acabamos por nos encontrar em caminhos fechados, que não levam a lado nenhum. Não é aí que está a nossa salvação, não é dessa forma que chegaremos à realização plena, não é assim que daremos sentido à nossa vida. Como é que queremos viver?

A primeira leitura diz-nos, no entanto, que somos livres de escolher entre as propostas de Deus (que conduzem à vida e à felicidade) e a nossa autossuficiência (que conduz, quase sempre, à morte e à desgraça). Para aqueles que escolhem a vida, Deus oferece-lhes os seus “mandamentos”: são os “sinais” que mostram o caminho da salvação. De onde vêm os males que sombreiam o caminho e a história dos homens? Resultarão da negligência de um Deus que “não quer saber” dos seus filhos? Serão castigos de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos inadequados? O problema do mal é complexo e não tem respostas simples. No entanto, a reflexão de Ben Sirá deixa-nos, desde logo, uma certeza: muitos dos males que desfeiam o mundo e que causam sofrimento aos homens provêm das escolhas erradas que fazemos. Deus não castiga, nem “inventa” males para nos travar; mas as nossas opções sem sentido podem resultar em dor e infelicidade para nós e para todos aqueles que caminham ao nosso lado. Se, no exercício da nossa liberdade, escolhermos ignorar as indicações de Deus e avançar por caminhos sem sentido, poderemos atribuir a Deus as culpas pelo dano que isso nos traz?

No Evangelho, Jesus pede aos seus discípulos – àqueles que aceitam a oferta da salvação que Ele traz e se dispõem a caminhar com Ele – que não se limitem a “serviços mínimos”, isto é, ao cumprimento da letra da “Lei”, mas adiram a Deus de todo o coração e busquem a vontade do Pai com paixão, com entusiasmo, com total compromisso. O “sermão da montanha” que Jesus um dia dirige aos discípulos no alto de um monte da Galileia tem por objetivo desafiá-los, fazê-los “ganhar altura”, evitar que eles fiquem atascados numa existência fútil e rasteira, levá-los a caminhar de rosto levantado e de olhos postos nas realidades eternas. Não se trata de evitar que eles sujem os pés e as mãos no pó dos caminhos, ou que reneguem essa fragilidade que é inerente à condição humana; trata-se de oferecer-lhes uma perspetiva elevada do sentido da existência, de forma que eles não se conformem com a mediocridade, as meias tintas, as convicções mornas, as coisas efémeras. Talvez devêssemos ler de vez em quando o “sermão da montanha” para não nos resignarmos à mediania e à banalidade, para não nos instalarmos numa existência cómoda mas sem saída. Somos chamados por Deus à santidade, a um destino transcendente, a uma vocação sublime, a uma felicidade completa e eterna. Não podemos aceitar menos do que isso. Estamos disponíveis para aceitar o desafio de Jesus e para abraçar o dinamismo do Reino de Deus e da sua justiça? Estamos dispostos a “voar alto” e a encontrar um sentido pleno para a nossa existência?
 
https://www.dehonianos.org

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Papa dedica mensagem aos avós e idosos que «vivem na solidão ou se sentem esquecidos»

VI Dia Mundial vai ser celebrado a 26 de julho


Foto: Vatican Media


Cidade do Vaticano, 10 fev 2026 (Ecclesia)
– O Papa vai dedicar a sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos a todos os que “vivem na solidão ou se sentem esquecidos”, anunciou hoje o Vaticano.

‘Eu nunca te esquecerei’, uma passagem do livro bíblico do profeta Isaías (Is 49,15) é o tema escolhido por Leão XIV, assinala o comunicado de imprensa do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), enviado à Agência ECCLESIA.

Segundo o organismo do Vaticano, a escolha “pretende sublinhar que o amor de Deus por cada pessoa nunca falha, mesmo na fragilidade da velhice”.

“Retirado do livro do profeta Isaías, o versículo escolhido pretende ser uma mensagem de consolo e esperança para todos os avós e idosos, especialmente para aqueles que vivem na solidão ou se sentem esquecidos. Ao mesmo tempo, é um apelo às famílias e às comunidades eclesiais para que não os esqueçam, reconhecendo neles uma presença preciosa e uma bênção”, indica a nota oficial.

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco em 2021, é celebrado todos os quartos domingos de julho e apresenta-se como “uma ocasião para levar aos idosos a proximidade da Igreja e valorizar a sua contribuição nas famílias e nas comunidades”.

Este ano, a data coincide com a festa dos Santos Joaquim e Ana, 26 de julho, e Papa “convida a celebrar o Dia com uma liturgia eucarística na Igreja Catedral de cada diocese”.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida exorta as dioceses, as associações e as comunidades eclesiais de todo o mundo a “encontrarem formas de valorizar este dia no seu próprio contexto local e, para isso, disponibilizará posteriormente alguns instrumentos pastorais específicos”.

OC

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A QUARESMA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL




Todos sabemos que o problema não está em ter assuntos importantes para escrever. Albert Einstein terá dito: “Duas coisas são infinitas: o universo e a burrice humana. Mas a respeito do universo ainda tenho dúvidas”. A respeito das temáticas importantes sobre as quais se pode escrever, também eu não tenho dúvidas, são mesmo como a burrice humana, são infinitas! O problema está em saber sobre qual delas, sem doidejar nem pôr a paciência a pique, sobre qual delas é que é importante escrever! Acho, porém, que escrever sobre a Quaresma, agora que ela está mesmo à bica, é tema mais que importante, mesmo que gente muito importante não enxergue a sua importância.
Porque, em horas de sonolência, o pensar me estava a dar cá uma trabalheira dos diabos, ainda por cima com este tempo assanhado sem sombra de chaparro à mão de semear, por curiosidade, mas de pé atrás pelo que me poderia dizer, perguntei à Inteligência Artificial (IA) que pistas me dava para escrever e aconselhar boas práticas para que esta Quaresma fosse, de facto, bem vivida por gente de boa vontade. E..., imaginem só!... a própria IA, clara e rápida, não achou a Quaresma ultrapassada nem manifestou qualquer discriminação entre gente de boa vontade e gente de má vontade. Na minha ciclópica ignorância sobre tal matéria, arrisco a dizer que isso deve ter muito a ver com os segredos dos algoritmos!... Estes, porém, embora não tenham comparação possível, fazem-me lembrar os segredos pontifícios, aqueles que nem o Papa sabe!... Tal como Deus não faz - e ensinou a que não fizéssemos -, também ela, a IA, não fez acessão de pessoas. A todos, mesmo àqueles que partilham do banquete do progresso mal-entendido, das guerras e quejandos, aconselhou as sempre atuais e necessárias práticas, práticas, pelos vistos, nunca ultrapassadas, mesmo que venham de muitíssimo antes dos afonsinhos. E reparem que até ao momento, a IA é o maior dos espirros da inteligência e do progresso humano, embora outros se venham a seguir bem mais estrondosos e admiráveis, suponho eu! Para ela, supina inteligência artificial, somos todos usuários desta ‘cebola cósmica’ a descascar lacrimosamente, onde toda a gente está convidada a abraçar o tempo santo da Quaresma. É um tempo favorável para limpar as ervas daninhas, as poeiras e as lamas da vida. E também o é para varrer as teias d’aranha que sempre teimam em enxamear os olhos, a mente e o coração, com grave influência no rodopio da vida pessoal e familiar, nos hábitos e tinos sociais. Se por todos vivida, em verdade e alegria, até as lágrimas ajudarão a lavar os olhos, o coração e a mente, afastando ódios e vinganças, peneiras e orgulhos, guerras e ganâncias, desprezos e descartes, violências e mortes, indiferenças e línguas maldosas e viperinas...
Eis, ‘ipsis verbis’, o que a IA me disse:
“A Quaresma é um tempo litúrgico de 40 dias - de Quarta-feira de Cinzas até à Quinta-feira Santa - focado na conversão, preparação para a Páscoa, penitência e oração.
A vivência bem-sucedida deste período baseia-se tradicionalmente no "tripé" quaresmal: oração, jejum e esmola.
Aqui estão algumas pistas práticas baseadas na tradição católica para uma Quaresma bem vivida:
1. Oração: Intensificar o Relacionamento com Deus
- Mais Tempo de Oração: Reserve um tempo diário, em silêncio, para rezar, preferencialmente meditando a liturgia diária ou lendo a Sagrada Escritura.
- Via Sacra: Reze a Via Sacra (seja na igreja ou em casa) para meditar sobre o sacrifício de Jesus.
- Adoração e Missa: Participe com mais frequência na Santa Missa, comungando, e dedique tempo à adoração semanal.
- Rezar o Terço: Dedique-se à oração do terço diariamente.
2. Jejum e Penitência: Desapego e Conversão
- Jejum de Alimentos: Cumprir o jejum e a abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
- Jejum da Língua: Evite fofocas, calúnias, reclamações e procure falar bem dos outros.
- Jejum Digital/Renúncias: Reduza o tempo nas redes sociais, televisão, jogos ou evite doces/bebidas alcoólicas.
- Mortificação: Pratique pequenas renúncias diárias para treinar a vontade e elevar a mente a Deus.
3. Esmola: Caridade e Solidariedade
- Ajudar os Necessitados: O valor economizado com os jejuns pode ser doado a quem precisa.
- Atos de Caridade: Realize ações concretas de solidariedade, como visitar doentes ou ajudar alguém próximo.
- Doação de Bens: Faça uma limpeza no guarda-roupa ou na casa e doe o que não utiliza.
4. Mudança de Vida e Conversão
- Confissão: Faça um bom exame de consciência e procure o sacramento da Reconciliação (confissão) para se preparar para a Páscoa.
- Leitura Espiritual: Separe minutos da rotina para ler bons livros espirituais ou a Bíblia.
- Praticar a Virtude: Foque na humildade, paciência e resiliência no dia a dia.
- Cuidado com a Casa Comum: Evite o desperdício de energia, água e alimentos.
-- Dica chave: Não tente fazer tudo de uma vez. Escolha um propósito concreto e viva-o com intensidade, preferencialmente com o auxílio do Espírito Santo.”
--
Esta manhã, em Roma, foi publicada a Mensagem do Santo Padre para a Quaresma 2026, sob o tema: “Escutar e jejuar - Quaresma como tempo de conversão”.
D. Antonino Dias
13-02-2026.

A saudade é uma dor do amor




O amor que um dia foi verdade nunca desaparece. Pode afundar-se dentro de um coração ao ponto de já ninguém, nem o próprio, o ver. Mas não morre, porque o amor não morre, nunca. Bastará muito pouco para que se manifeste e se revele vivo, apesar de tudo.

É dolorosíssimo aceitar que já não há neste mundo o que há, tão vivo, em nós. O tempo, que quase tudo muda, não muda o amor. O que fica então? A saudade, que congrega três dimensões distintas:

– Uma alegria pura e uma dor profunda por sermos senhores de viver algo raro;

– A vontade imensa de voltar para junto da fonte de onde brotou a razão da nossa esperança;

– A certeza amarga de que é impossível voltar a viver, mas que, apesar de tudo, ainda tudo é possível.

Alguns de nós deixam-se ficar numa destas facetas, outros vivem uma a uma sucessivamente, outros ainda não sabem sequer identificar aquilo que o amor lhes pede agora, depois de lhes ter dado tudo.

O amor faz-me ser quem sou. Se há algo ou alguém que amo que deixa de estar perto, então começa o tempo da luta para encontrar a verdade de que, por mais que não pareça, o nosso amor existe; a dor prova-o com grande evidência.

Não estou só, porque amo. É quando estou mais longe deste mundo que mais sinto aqueles que amo. Não é bom… nem mau. É assim. É amor.

Cada um de nós é um amor no tempo.

O tempo acabará; o amor, não.


José Luís Nunes Martins


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

É o que é!


E pronto, não vale a pena contestar, esbracejar porque as coisas são como são e nem sempre como queres que seja.

É o que é, as pessoas são como são e tu és o que és!

Dou por mim a aceitar que há coisas com as quais não vale a pena lutar, e a aceitar que elas são assim e eu, por mais que tente, não as consigo mudar. Depois resta-me decidir se quero fazer parte de algo em que não sinto que “Sou” ou se simplesmente aceito e sigo outro caminho.

Não significa que tenha razão, ou que a minha perspetiva seja a correta, mas há momentos que sentes ninguém quer saber da tua opinião e como tal aceitas que as coisas são como são.

Não podemos mudar o mundo nem moldá-los às nossas convicções ou pontos de vista, mas talvez conseguíssemos melhor se ouvíssemos mais opiniões com vontade genuína de receber um contributo para o que pensamos, sem estereótipos nem barreiras.

Resignamos e baixamos os braços porque nem sempre vemos as nossas opiniões e ideias serem recebidas como algo bom, por mais estranho que pareça. Perdemos muito tempo com o ruído e esquecemo-nos do que realmente é importante: Aquilo que tu és!

E o que és é uma construção repleta de muitas e variadas peças, de alegrias, mágoas, rancores e conquistas e elas tornam-te única e especial.

Não te distraias com o ruído dos que querem parecer superiores e definir como as coisas têm de ser. Repara que aquilo que é depende muito do sítio em que estás, na posição em que olhas para a situação, ou das tuas próprias fragilidades. E sabes, nem sempre o que é hoje, será amanhã por isso está atenta, amanhã pode ser a tua oportunidade que aquilo que é ser exatamente aquilo que queres que seja.

E tu, amiga, como queres que seja o teu amanhã?


Raquel Rodrigues

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DIA MUNDIAL DO DOENTE



Instituído em 1992 pelo Papa João Paulo II, o Dia Mundial do Doente vem despertar a consciência do Povo de Deus e das instituições de saúde para a necessidade de uma assistência digna a todos os que sofrem. Este dia lembra‑nos que cuidar dos doentes não é algo secundário, mas uma dimensão central da missão da Igreja.

Bento XVI e Francisco aprofundaram esta visão, sublinhando a diaconia da caridade e um cuidado que acolha e acompanhe a pessoa na sua totalidade. A Encíclica Fratelli Tutti recorda-nos que a saúde não é apenas um bem individual, mas um bem comum, que convoca solidariedade e responsabilidade partilhada.

Para o XXXIV Dia Mundial do Doente, o Papa Leão XIV propõe-nos A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro. Retomando a parábola do Bom Samaritano, o Santo Padre recorda que amar exige a coragem de parar, a humildade de nos aproximarmos e a disponibilidade de cuidar. A compaixão não é apenas um sentimento, mas torna‑se compromisso, ação concreta, sobretudo diante da fragilidade da doença.

Amar o próximo é a expressão visível do nosso amor a Deus e um caminho para um amor mais autêntico a nós mesmos. O cuidado pelos doentes e pelos mais vulneráveis não é ocasional nem opcional: é um dos sinais mais claros da fidelidade ao Evangelho e da esperança que somos chamados a testemunhar no mundo.

RMOP

Sobre presença!



Tenho pensado cada vez mais sobre isto do estar presente. Num mundo com pressa e com valores que se atropelam, onde cada um quer mais falar de si, sobrando pouco para o outro; presença pode ser um presente incrível para oferecer, ainda por cima gratuito!

E tu quando estás, estás?

A minha resposta seria: não tantas vezes quanto gostaria.

Pois bem, sinto que quando estou sou mais genuína, oiço com atenção, respondo com mais verdade, o tempo dá-nos uma trégua e às vezes até pára um pouquinho para ali ficarmos atentos, juntos, a partilhar "coisas" da vida.

E quando o fazem comigo também é incrível, porque me sinto vista, sentida, acolhida.

Vamos lá oferecer mais presença!


Lucília Miranda


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Cardeal D. Américo Aguiar visita os Bombeiros de Arronches

 



Os Bombeiros de Arronches receberam, esta manhã, a visita do Capelão Nacional dos Bombeiros, Cardeal D. Américo Aguiar, no âmbito de um périplo por várias corporações de bombeiros do distrito, que incluiu o Corpo de Bombeiros de Arronches.
Durante a visita ao quartel, o Cardeal esteve com os operacionais do Corpo Ativo, deixando palavras de proximidade, reconhecimento e incentivo, recordando em especial o enorme esforço e dedicação demonstrados pelo Corpo de Bombeiros nas recentes intempéries.
Um momento de partilha, gratidão e valorização de quem serve a comunidade todos os dias.

Bombeiros Voluntários de Arronches



Vós sois a Luz do Mindo

 


«Ainda há fogo dentro!
Ainda há frutos sem veneno! Ainda há LUZ na estrada!
Podes subir à porta do templo,
Que o amor nos SALve…
E há uma LUZ que chama, Outra LUZ que cala, E uma LUZ que é nossa.»
Pedro Abrunhosa



Na terra que habitamos hoje, o SAL, infelizmente, é visto como inimigo da saúde.

Esquecemos que não há “tudo mau”, nem “tudo bom”.

Mas, em tudo que na terra existe há um meio-termo que nos faz tão bem.

Sem SAL,

o mais perfeito jantar confecionado pelo chefe de cozinha mais badalado do momento,

é de um paladar amargo sem realce de sabores.

O SAL é fundamental para a hidratação do corpo humano,

contração muscular e impulsos nervosos.


Quero ser como o SAL!

Na medida certa.

Nem muito ausente, pois temo ser esquecida…

Nem muito presente, porque sei que sou chata…

Mas sempre disponível para dar sabor à Vida de quem por mim passa.

Eu acredito que ser SAL é a missão que Jesus me chama a cada dia.



Imaginar um mundo sem LUZ é assustador.

Como podemos viver numa noite sem fim?

Não estamos formatados para esse desígnio.

A verdade é que até conseguiríamos fazê-lo…

se acreditássemos, verdadeiramente, que somos LUZ.

A LUZ não foi criada para se iluminar a si própria,

nem para ofuscar os olhos de quem caminha connosco.

A LUZ ilumina e guia.

A LUZ aquece todas as criaturas,

que Deus sonhou e, cuidadosamente, insuflou com o sopro da Vida.


Ser LUZ na vida de alguém é levar Esperança numa chama que não consome o pavio.

Ser LUZ é pegar na mão de quem está sem rumo e

segredar-lhe que também pode ser LUZ, na vida de quem está perdido.

Ser LUZ é permitir que Jesus nos retalhe o coração

para fazer uma gambiarra que nunca terá lâmpadas suficientes…


Deus quer a minha LUZ, a tua LUZ, a LUZ de quem está ao teu e ao meu lado
para iluminar o mundo que se esqueceu de sentir o sabor a SAL da Sua Palavra e do Seu Pão.



Liliana Dinis,

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Por onde passares, deixa sal e luz!

 


Por onde passares, deixa sal e luz!
Não estamos cá para fazer só por fazer ou para viver só por viver. Também não estamos cá para viver à sombra do tanto-faz. Do é-me igual. Do seja o que for. Estamos cá para iluminar, na pele do mundo aquilo de que somos feitos... para salgar na memória dos outros um rasto de esperança e de novidade. De promessa de futuro.
«Vós sois o sal da terra.... Vós sois a luz do mundo». Não se trata de uma exortação de Jesus, "esforçai-vos por vos tornardes luz", mas "sabei que já o sois".
Como fazer para viver esta responsabilidade séria, que é de todos? Menos palavras e mais gestos. «Reparte o teu pão», e depois é todo um seguimento de outros gestos: dá abrigo, veste o nu, não vires a cara. «Então a tua luz surgirá como a aurora, a tua ferida não tardará em sarar».
Cura os outros e curar-se-á a tua ferida, cuida de alguém e Deus cuidará de ti; produz amor, e Ele envolver-te-á o coração, quando está ferido. Ilumina outros e iluminar-te-ás, porque quem olha só para si próprio nunca se ilumina. Quem não procura, mesmo às apalpadelas, o rosto que da escuridão pede ajuda, nunca se acenderá. É da noite partilhada que se ergue o sol de todos.
Não estamos cá para dar nas vistas ou para ser famosos.
Estamos cá para deixar sal e luz.
Para gravar o nosso nome nas coisas bem-feitas.
Por onde passares, deixa sal e luz!



Padre João Torres

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO

 

https://www.youtube.com/watch?v=63DneP9CEqo&list=PLAqKRngqwuSfPdOPEvu7KzjdvMvB1w33f


Para que vivemos? Qual o sentido da nossa vida? Como devemos marcar a nossa passagem pela terra? Que “obras” devemos fazer? A Palavra de Deus do 5.º Domingo do Tempo Comum propõe-nos respostas para estas questões. Desafia-nos a ser “luz” que brilha e que ilumina o mundo com as cores de Deus.

Na primeira leitura um profeta anónimo do séc. VI a.C. convida os habitantes de Jerusalém a serem uma luz de Deus que ilumina a noite do mundo. Como? Oferecendo a Deus o espetáculo de uma religião feita de rituais vazios e desligados da vida? Não. Ser “luz de Deus” passa por partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar daqueles que ninguém cuida, ser testemunha da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. O que é que Deus pretende de nós? Qual o papel que Ele nos destina no seu plano salvador? A estas perguntas poderão ser dadas múltiplas respostas. Uma das mais belas e mais desafiantes aparece nas palavras do Trito-Isaías que escutamos hoje: Deus pretende que sejamos uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta aos homens o caminho que leva à vida verdadeira. Sim, é uma boa resposta. Mas, como poderemos ser essa luz? Oferecendo a Deus rituais litúrgicos majestosos, que sejam expressão (mesmo que deslavada) da grandeza e da omnipotência de Deus? É oferecendo ao mundo o espetáculo de uma religião que se exprime em gestos e palavras carregados de história e de tradição, mas herméticos e incompreensíveis para os homens e mulheres que se movem à margem dos caminhos da fé? Ouçamos, outra vez, o Trito-Isaías: seremos luz de Deus no mundo se partilharmos o nosso pão com os famintos, se ficarmos do lado dos injustiçados, se cuidarmos daqueles que ninguém cuida, se formos testemunhas da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. Dessa forma, todos nos verão e todos entenderão o nosso testemunho. Como é que vemos tudo isto? Como vivemos e expressamos a fé que nos anima?

No Evangelho, Jesus recorre a duas metáforas para definir os contornos da missão que vai confiar aos seus discípulos. Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos. Para que vivemos, cinquenta, setenta, noventa, cem anos? Que marca deixamos no mundo e na memória daqueles que se cruzam connosco no caminho da vida? A nossa ação e intervenção tem vindo a acrescentar alguma coisa à história dos homens? O que é que determina o êxito ou o fracasso da nossa existência? A nossa realização passará apenas por viver o mais comodamente possível, com um mínimo de complicações, de aborrecimentos e de contrariedades? As coisas corriqueiras e fúteis, a mediocridade e a banalidade, as diversões e os bens materiais, os prazeres e as satisfações efémeras, os triunfos e os aplausos, bastarão para dar sentido à nossa vida e para saciar a nossa sede de felicidade? Nós que encontramos Jesus, que acolhemos o seu chamamento e que nos apaixonamos pelo seu projeto, em que moldes construímos a nossa existência de forma que ela faça pleno sentido?
Para que o sal possa cumprir o seu papel, tem de ser misturado com os alimentos; para que uma luz possa iluminar “todos os que estão em casa”, não pode estar escondida debaixo do alqueire. Tudo isto parece-nos demasiado evidente. Mas temos sempre tirado daí as consequências que se impõem? Há entre nós quem, desagradado com a indiferença ou até mesmo a hostilidade do mundo, ache que a comunidade de Jesus deve fechar-se ao mundo, condenar o mundo e “cortar relações” com uma sociedade que não entende a proposta cristã. Poderemos ser “sal da terra” e “luz do mundo” fechados dentro das nossas igrejas ou dos espessos muros dos nossos conventos, limitados a atirar condenações lá para fora? Poderemos alhear-nos dos problemas e angústias, alegrias e esperanças dos homens, renunciando a contagiar o mundo com a proposta de Jesus? Uma Igreja que gasta todas as energias com os seus solenes rituais litúrgicos ou com a arrumação harmoniosa do calendário paroquial poderá dar sabor à vida moderna e oferecer aos homens a luz genuína do Evangelho?

Na segunda leitura o apóstolo Paulo convida os cristãos de Corinto a agarrarem-se à “sabedoria de Deus” e a prescindirem da “sabedoria do mundo”. A salvação do homem não vem das palavras bonitas, dos sistemas filosóficos bem elaborados ou das qualidades humanas dos arautos da mensagem salvífica; mas vem do amor de Deus, expresso naquela cruz onde o Filho de
Deus ofereceu a vida e nos deixou a lição do amor até ao extremo. Paulo é testemunha privilegiada dessa mensagem: viver a partir da “loucura da cruz” é que dá sentido pleno à vida do homem. À “sabedoria do mundo” Paulo contrapõe a “sabedoria de Deus”. A “sabedoria de Deus pode parecer algo de estranho e de incongruente à luz da nossa lógica humana; mas ela é, segundo o apóstolo Paulo, fonte de vida verdadeira e eterna. O que aconteceu com Jesus aponta exatamente nesse sentido: Ele aceitou prescindir das suas prerrogativas divinas, desceu até nós, assumiu a nossa humanidade, experimentou a nossa fragilidade, solidarizou-se connosco e partilhou as nossas dores, enfrentou corajosamente a injustiça e a maldade, foi condenado e sofreu uma morte maldita; mas, da Sua entrega brotou vida nova que inundou o mundo e transformou a história dos homens. Jesus mostrou-nos uma coisa que, mesmo depois de dois mil anos, ainda temos dificuldade em entender: o amor até às últimas consequências, o serviço aos outros, a vida “dada” até ao extremo, a renúncia a si próprio, são fonte de vida. Quem vive dessa forma não fracassa, não passa ao lado da vida, não é um vencido; quem vive dessa forma dá sentido pleno à sua existência. O que vale para nós a “sabedoria de Deus”? É a partir dela que construímos o nosso projeto de vida?

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sábado, 7 de fevereiro de 2026

MATRIMÓNIOS FELIZES – FILHOS AGRADECIDOS!...

                       

Todos os anos, no segundo Domingo de fevereiro, bem próximo do Dia dos Namorados, celebra-se o Dia Internacional do Matrimónio. Nasceu na década de oitenta do século findo, num grupo de casais do Movimento Encontro Matrimonial. Um movimento de espiritualidade conjugal e familiar já presente em mais de cem países, incluindo Portugal. Este Dia pretende homenagear os casais, celebrar o amor e o diálogo conjugal, destacar a beleza e a importância do compromisso, promover a união familiar vivida em alegria e fidelidade, fortalecer a instituição familiar.
Casamento e Matrimónio, palavras usados como sinónimas, fazem alguma diferença. O Casamento acontece com um ato jurídico, celebrado perante a lei civil, entre um homem e uma mulher, para formalizar a união e definir direitos e obrigações. O Matrimónio, por sua vez, está associado à união sagrada, sacramental. Tem conotações teológicas, espelha o ‘sonho de Deus’ para a humanidade, representa a união de Cristo com a Igreja. Quando só civil, mesmo entre não batizados, o Casamento também é irrevogável, indissolúvel. É uma aliança que, pela lei natural, se destina a durar até à morte de um dos cônjuges. E os filhos agradecem! No início da criação, Deus os fez homem e mulher. O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa e serão dois numa só carne (cf. Gn 2, 24). Embora assim não se queira entender e a sua história seja complexa, a indissolubilidade vem desde o princípio, funda-se no amor que, por sua natureza, exige compromisso total e definitivo, para bem de cada um dos cônjuges e dos filhos. Mais tarde, Cristo elevou essa união de um homem e de uma mulher ao nível de Sacramento, sendo para a Igreja a lembrança permanente do que aconteceu na cruz. Os esposos “são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”.
Na fé, é possível assumir os bens do Matrimónio como compromissos que se podem cumprir melhor com a ajuda da graça do Sacramento. Este, porém, não é uma simples “convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso”. Não é uma ‘coisa’, nem ‘uma força’. Nem se vai buscar ou comprar à Igreja. O Sacramento celebra-se na comunidade e vive-se no quotidiano da vida. Embora a celebração tenha um princípio e um fim, não é um rito passageiro, vazio, uma mera burocracia. É uma graça, uma ação durável, permanente, a sustentar a vida cristã de quem o celebra. Trata-se dum encontro real com Cristo. É o próprio Cristo que “vem ao encontro dos esposos cristãos, fica com eles, dá-lhes a coragem de o seguirem, tomando sobre si a sua cruz, dá-lhes a coragem de se levantarem depois das quedas, de se perdoarem mutuamente, de levarem o fardo um do outro” (cf. AL). É um dom para a santificação e a salvação dos esposos.
No entanto, tudo o que é dom de Deus implica tarefa humana. O dom não age automaticamente. Se a vida é um dom, eu tenho de procurar viver com dignidade, com respeito absoluto pela minha vida e pela vida dos outros. Se a fé é um dom, eu tenho de o alimentar e de o viver de forma coerente, com adesão pessoal a Deus e amor para com o próximo. Se o Sacramento é um dom, um encontro preparado e pessoal na amizade com Cristo, eu devo-o acolher com abertura de coração e aceitar todas as consequências que daí advêm para a transformação da minha vida quotidiana: cristã, familiar e social. Unidos, pois, em Matrimónio, num projeto de vida comum baseado no amor, na fidelidade e no acolhimento, homem e mulher devem assumir como essencial para a sustentação, fortalecimento e vivência dessa união conjugal, deitar mão daqueles meios que Jesus a todos aconselhou: humildade, oração, vigilância, atenção mútua, inserção na comunidade, participação, companheirismo, capacidade de colocar a felicidade do outro acima dos próprios interesses. Trata-se de um ‘sim’ livre e generoso, capaz de superar desafios e dificuldades para construir uma família, uma comunidade de vida e de amor, cuja construção implica paciência, perdão, amadurecimento diário, fortaleza, tempo e graça de Deus. É verdade que sempre surgem dificuldades, problemas, sofrimento. O importante, porém, é que nunca se perca o entusiasmo da primeira hora, que se reaviva a fé e a graça sacramental, que tudo se vá superando, tantas vezes sabendo perder para se ganhar.
A celebração deste Dia pode incluir celebrações religiosas ou civis, a renovação da aliança, a bênção dos casais e iniciativas várias para a valorização da mais pequenina e importante das comunidades humanas. Paralelamente a todas as atividades que envolvam as comunidades, muitas famílias dão continuidade à celebração deste dia, paredes dentro as suas próprias casas. Sabem remar contra a maré, a qual tende a desvalorizar o valor incontornável da família. Vão renovando e fortalecendo aquele interesse pela santificação mútua e pela educação na fé de todos os seus membros, a começar pelos mais pequeninos. Nenhuma família deverá contribuir, com o seu silêncio e a sua falta de testemunho, para que os seus mais próximos não façam a sua experiência de fé, com determinação e alegria.9



D. Antonino Dias
Caminha, 06-02-2026.