quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A profissão de viver



Claro que falar do viver como sendo uma profissão tem o seu quê de insólito. A vida não é um ofício, é uma condição. Mas referir-se a ela desse modo talvez nos ajude na compreensão de quanto a vida nos pede de aprendizagem, iniciação e sucessivos recomeços. Era Erich Fromm quem dizia que as pessoas felizes são aquelas que encaram todo o curso da sua vida como um processo de nascimento, rompendo com a gramática mais comum que considera que cada um de nós só nasce uma vez, só tem uma grande oportunidade, só percorre um caminho antes de se precipitar no fim. Erich Fromm defendia que tal modo de pensar gera este efeito devastador: vermos tanta gente morrer sem sequer ter chegado a nascer. De facto, o verdadeiro e exigentíssimo desafio que se coloca ao ser humano é levar a cumprimento o seu nascimento. Nisto, nós humanos diferenciamo-nos das outras criaturas, que em pouco tempo já são completamente aquilo que são. Nós, ao contrário, somos inacabados; recebemos a vida como dom, mas também como tarefa; vivemos no decurso do tempo o processo do nosso próprio parto; precisamos de muitos anos (e de muito trabalho interno) para chegar a exprimir o que há em nós de original. Os mestres estoicos, na Antiguidade, motivavam os discípulos a construir a sua própria estátua. Quer dizer, exortavam-nos ao labor de si para edificar a sua própria humanidade, esse labor face ao qual todos os outros que desenvolvemos são simplesmente preparatórios.

Recebemos a vida como dom, mas também como tarefa; vivemos no decurso do tempo o processo do nosso próprio parto; precisamos de muitos anos para chegar a exprimir o que há em nós de original

As nossas sociedades concentraram demasiado a sua aposta de formação em saberes técnicos e científicos, ou então assumidamente parcelares e especializados, apontando como horizonte o resultado sobretudo económico e, como consequência, damos por nós analfabetos, vulneráveis e desprovidos nas dimensões fundamentais do viver. Uma das patologias contemporâneas é este défice de sabedoria, esta falta de uma arte da existência. Por isso, não só um a um e em doloroso contraciclo, como na melhor das hipóteses acontece, mas como comunidades no seu conjunto teremos de confrontar-nos com aquelas perguntas que T. S. Eliot coloca num dos seus poemas: “Onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos com a informação?”. Eliot tem razão: a vida não só se ganha, também se perde quando nos tornamos prisioneiros do imediato, do desagregado e do fragmentário, sem espaço para reelaborar o vivido a partir de razões mais profundas.

Por sua vocação, o ser humano não se realiza apenas na luta pela sobrevivência. A par dessa, ele precisa de conhecer-se a si mesmo, viver na exterioridade e na interioridade, precisa de avizinhar-se com vagar da “espantosa realidade das coisas”, escutar o visível até ao fim e para lá do visível, porque a vida é surpresa e mistério. Precisa de acreditar e duvidar, recolher e lançar o mesmo propósito muitas vezes, precisa de dizer e calar, abraçando assim esse movimento que é afinal imobilidade e essa imobilidade que é afinal movimento. Atirámos as experiências de vida contemplativa para uma periferia e olhámos para essas expressões (religiosas, culturais, humanas) com indiferença, como se não tivessem nada a ensinar-nos. Dispersámos assim um património espiritual de que as nossas sociedades carecem absolutamente. Friedrich Nietzsche escreveu: “Por ausência de quietude a nossa civilização está a desaguar numa nova barbárie. Nunca como hoje o ativismo dos irrequietos gozou de tamanha consideração. Por isso, uma das correções a introduzir no modo de vivermos a nossa humanidade seria reforçar largamente o elemento contemplativo”.

[@SEMANÁRIO#2427 - 4/5/19]



Pe. José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Queria contemplar o vale


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Compreendes como é um dom poder contemplar o vale diante do teu olhar. A imensidão do verde em diferentes tonalidades mistura-se com os raios solares. Mas não vês somente, escutas.

O canto dos pássaros, alguém com uma rebarbadora, e o zumbido das moscas. O humano mistura-se com a natureza de onde emergiu para nos elevar ao pensamento essencial em... Deus. Que bela a criação!

É claro que preferia ouvir apenas o canto dos pássaros. É claro que preferia não ter as moscas a azucrinar os meus ouvidos. Mas o que parece ser a imperfeição relativa ao desejo do perfeito torna-se, precisamente, o relevante a contemplar.

Pela vida há muitos zumbidos que incomodam porque nos distraiem do essencial. Levam-nos a esbracejar, desviando o nosso olhar, de tal modo que o mais pequeno ser irritante (a mosca) faz-nos perder de vista a visão do todo.

Foi um pouco esta a experiência que fiz enquanto deixava as palavras deste texto fluirem. Mas, a um dado momento, dei-me conta de que não é o zumbido das moscas que nos desvia da escolha da contemplação, mas o desejo forçado de perfeição.

Quando acolhemos o imperfeito e desvalorizamos o que não interessa, o voo das moscas começa, gradualmente, a fazer parte da paisagem e o zumbido parte do silêncio natural melódico de um momento de pausa imerso na natureza.

Para dizer a verdade, já devia estar habituado desde que, ultrapassando os 40, como míope, as moscas começaram a fazer parte do meu campo de visão quotidiano. Lembro-me no Verão passado como o primeiro embate com essa realidade me levou a viver a ansiedade de não saber o que se passava. Quando compreendi, aceitei e descobri que o segredo era focar a visão no todo, acolhendo a imperfeição da parte.

Penso que será sempre assim na história da humanidade. Por mais tecnologia que criemos para superar o natural com o artificial com o desejo de perfeição, perderemos a sabedoria proveniente do encontro com a imperfeição natural. Aquela que nos leva a descobrir a vulnerabilidade da nossa espécie na narrativa universal. E, ao mesmo tempo, a grandeza das pequenas coisas.

Queria contemplar o vale, mas acabei por contemplar o universo interior que dá sentido e significado ao olhar.


Miguel Oliveira Panão

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Papa viaja nesta semana a Moçambique: mensagem pede orações pela paz no país

Papa Moçambique


Nação africana de língua portuguesa sofreu duramente os muitos anos de guerra e conflitos, com consequências até o dia de hoje


A Santa Sé divulgou nesta última sexta, 30, a mensagem do Papa Francisco gravada em vídeo para a sua viagem apostólica a Moçambique, agendada para começar quarta-feira, 4 de setembro.

A viagem se estenderá a mais dois países próximos: Maurício e Madagascar. O programa completo da visita de Francisco às três nações está disponível no site do Vatican News.

Especificamente para os moçambicanos, eis o pronunciamento do Papa:

“Querido povo de Moçambique!

Dentro de poucos dias, terá início a minha visita ao vosso país e, apesar de não poder deslocar-me para além da capital, o meu coração alcança e abraça a todos vós, com um lugar especial para quantos vivem atribulados.

Desde já vos queria deixar esta certeza: estais todos na minha oração. Anseio pelo momento de vos encontrar.

Tal como eu recebi (e agradeço!) o convite do senhor Presidente e dos meus irmãos Bispos para ir ter convosco, assim estendo o convite a todos vós, para vos unirdes à minha oração a fim de que o Deus e Pai de todos consolide a reconciliação, reconciliação fraterna em Moçambique e na África inteira, única esperança para uma paz firme e duradoura.

Terei a alegria de partilhar diretamente convosco estas convicções e também de verificar como cresce a sementeira feita pelo meu antecessor São João Paulo II. Esta viagem permitir-me-á encontrar a comunidade católica e confirmá-la no seu testemunho do Evangelho, que ensina a dignidade de cada homem e mulher e exige que abramos os nossos corações aos outros, especialmente aos pobres e necessitados.

Queridos irmãos e irmãs, sei que muitos estão a trabalhar na preparação da minha visita, inclusive com a oferta das suas orações, e de coração lhes agradeço. Sobre vós e sobre o vosso país invoco as bênçãos de Deus e a proteção da nossa Mãe, a Virgem Maria.

Até breve!”


Redação da Aleteia | Set 02, 2019


Bispo convida católicos a «conversão ecológica»

D. Antonino Dias associa-se ao Dia Mundial de Oração pela Criação, iniciativa ecuménica




D. Antonino Dias convidou as comunidades católicas a iniciativas de “conversão ecológica” para assinalar, este domingo, o Dia Mundial de Oração pela Criação, iniciativa ecuménica que conta com o apoio do Papa.

“O Planeta Terra faz soar os seus alarmes, merece atenção, precisa da solidariedade universal, do envolvimento de todos”, escreve D. Antonino Dias, numa mensagem divulgada através da página diocesana na internet.

O responsável sublinha que o crescimento tecnológico tem permitido “novas conquistas” para a humanidade, advertindo, no entanto, que “todas essas aquisições vão dando ao homem um poder enorme, sobretudo àqueles que detêm o conhecimento e o poder económico para o disfrutar”.

“O movimento ecológico mundial tem feito o seu caminho de sensibilização para o problema. Tem havido cimeiras mundiais ainda que aquém das expectativas”, assinala o responsável católico.

A mensagem do crescimento tecnológico, que cita várias passagens da encíclica ‘Laudato Si’ (2015), do Papa Francisco, observa que as questões ambientais vão “ocupando as agendas políticas”, ajudando a uma “mudança de hábitos, mesmo que lenta e difícil”.

“O debate público multiplica-se, promove-se o estudo e a proteção dos ecossistemas, luta-se por uma agricultura mais sustentável e diversificada, por uma gestão mais adequada dos recursos florestais e marinhos e da própria água potável”, elenca.

D. Antonino Dias sublinha, a este respeito, que o cuidado com a natureza “não pode ser apenas tarefa dos ecologistas”.

“Um cristão que não preserva a Criação, que não a faz crescer, é um cristão que não se importa com o trabalho de Deus, aquele trabalho que nasceu do Seu amor por nós”, aponta.

OC

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

PAPA INSISTE NA PROTEÇÃO DOS OCEANOS E DA VIDA MARINHA



Os mares e os oceanos, que albergam "a maior parte da água do planeta e também a maior variedade de seres vivos", são uma prioridade para o Papa Francisco. "A Criação é um projeto do amor de Deus pela humanidade", sublinha o Papa, recordando que o dever solidário dos católicos com a 'Casa Comum' "nasce da nossa fé".

Na edição de setembro de O Vídeo do Papa, o Santo Padre chama a atenção de todos os católicos para que rezem com ele e ajam, pedindo para que os políticos, cientistas e economistas trabalhem juntos para alcançar medidas de proteção dos oceanos. O Papa pede gestos concretos para enfrentar o problema da gestão injusta dos mares e realça a necessidade de implementar uma "abordagem interdisciplinar" que tenha em conta a pessoa humana.

O Vídeo do Papa marca, também, o início do 'Tempo da Criação', que se inicia com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, a 1 de setembro, e se prolonga até 4 de outubro, dia de S. Francisco de Assis.

O padre Frédéric Fornos, sj, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, recorda que o Papa tem apelado à proteção dos ecossistemas marinhos através de um compromisso com "mentalidade ativa, rezando como se tudo dependesse da Divina Providência e trabalhando como se tudo dependesse de nós".

A cada ano, 13 milhões de toneladas de plástico infiltram-se no oceano, provocando, entre outros danos, a morte de 100 mil espécies marinhas. Os plásticos que se deterioram no mar acabam por se converter em microplásticos, que tanto peixes como outros animais marinhos acabam por consumir. Isto contamina a cadeia alimentar a nível global.

O fitoplâncton, organismo microscópico que flutua na água e que produz oxigénio através do processo de fotossíntese, é responsável pela produção de mais de metade do oxigénio presente na atmosfera, essencial à vida na Terra. Os oceanos são, por isso, considerados um dos pulmões do planeta.

O Vídeo do Papa de setembro resulta do trabalho conjunto da agência La Machi - Comunicação para Boas Causas, da Vatican Media e da equipa de produção Esperança, dirigida pelo produtor Jean-Yves Robin e por Yann Arthus-Bertrand, realizador do documentário 'Humanos' (2015), vencedor do prémio de melhor documentário nos festivais de cinema de Pequim e de Vancouver, em 2016.



Papa nomeia D. José Tolentino Mendonça como cardeal


https://youtu.be/2QemX7J-zIQ

Consistório marcado para 5 de outubro


Cidade do Vaticano, 01 set 2019 (Ecclesia) – O Papa anunciou hoje no Vaticano a criação, como cardeal, do arcebispo português D. José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, de 53 anos.

O consistório para a criação de 13 novos cardeais (10 eleitores) está marcado para 5 de outubro, no Vaticano.

“No próximo dia 5 de outubro vou presidira a um Consistório para a nomeação de 10 novos cardeais, cuja proveniência exprime a vocação missionária da Igreja que continua a anunciar o amor misericordioso de Deus a todos os homens da terra”, disse Francisco, após a recitação dominical da oração do ângelus.

O nome de D. José Tolentino Mendonça foi o segundo a ser anunciado, numa lista que inclui colaboradores diretos do Papa e responsáveis de várias dioceses do mundo.

O arcebispo madeirense torna-se o sexto cardeal português do século XXI e o terceiro a ser designado no atual pontificado; passa a ser o segundo membro mais jovem do Colégio Cardinalício, logo após D. Dieudonné Nzapalainga, cardeal da República Centro-Africana, de 52 anos.

O novo cardeal português junta-se assim a D. José Saraiva Martins, D. Manuel Monteiro de Castro, D. Manuel Clemente e D. António Marto no Colégio Cardinalício.

“Rezemos pelos novos cardeais, para que, confirmando a sua adesão a Cristo, me ajudem no meu ministério de bispo de Roma, para o bem de todo o santo povo fiel de Deus”, apelou o Papa.

A recitação do ângelus começou com um inédito atraso do Papa Francisco, o qual explicou que ficou preso no elevador, durante 25 minutos, devido a uma falha na rede elétrica.

“Graças a Deus, chegaram os bombeiros, agradeço-lhes muito”, disse aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, pedindo um aplauso para os mesmos.

Os novos cardeais


Eleitores
Miguel Angel Ayuso Guixot, mccj – presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (Santa Sé)
José Tolentino Medonça – arquivista e bibliotecário da Santa Sé
Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo – Arcebispo de Jacarta, Indonésia
Juan de la Caridad García Rodríguez – Arcebispo de Havana, Cuba
Fridolin Ambongo Besungu, o.f.m. cap – Arcebispo de Kinshasa, República Democrática do Congo
Jean-Claude Höllerich, sj – Arcebispo do Luxemburgo
Alvaro L. Ramazzini Imeri – Bispo de Huehuetenamgo, Guatemala
Matteo Zuppi – Arcebispo de Bolonha, Itália
Cristóbal López Romero, sdb – Arcebispo de Rabat, Marrocos
Padre Michael Czerny, sj – Subsecretário da secção ‘Migrantes’ do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé)

Não-eleitores
Michael Louis Fitzgerald – presidente emérito do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso
Sigitas Tamkevicius, sj – arcebispo emérito de Kaunas, Lituânia
Eugenio Dal Corso, psdp – Bispo emérito de Benguela, Angola


José Tolentino Calaça de Mendonça nasceu em Machico (Arquipélago da Madeira) a 15 de dezembro de 1965; foi ordenado padre em 1990 e bispo em 2018.

Biblista, investigador, poeta e ensaísta, o futuro cardeal Tolentino Mendonça foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’lago da Espada por Aníbal Cavaco Silva, presidente da República, em 2015.

O Colégio Cardinalício conta atualmente com 118 eleitores (57 dos quais criados por Francisco) e 97 cardeais com mais de 80 anos, os quais não têm direito a voto num eventual Conclave para eleição de um novo Papa.

Dos cardeais eleitores, 50 são da Europa, 33 da América, 31 da África e Ásia, quatro da Oceânia.

Portugal teve até hoje com 45 cardeais, a começar pelo chamado Mestre Gil, escolhido pelo Papa Urbano IV (1195- 1264).

A história dos cardeais começa por estar ligar ao clero de Roma e já vem de longe: o título de cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado de Silvestre I (314-335).

Inicialmente o título de cardeal (do latim ‘cardo/cardinis’, que significa “eixo”) era atribuído genericamente a pessoas ao serviço de uma igreja ou diaconia, reservando-se mais tarde aos responsáveis das igrejas titulares de Roma e das igrejas mais importantes da Itália e do mundo.

OC

Os cardeais nascem do grupo de 25 presbíteros das comunidades eclesiais primitivas (títulos) em Roma, nomeados pelo Papa Cleto (séc. I), e dos 7 (posteriormente 14) diáconos que cuidavam dos pobres nas várias regiões da cidade; dos 6 diáconos palatinos (responsáveis pela administração dos seis departamentos do palácio de Latrão, em Roma) e dos 7 bispos suburbicários (as sete dioceses mais próximas de Roma), todos eles conselheiros e colaboradores do Papa.

Segundo as notas históricas do “Anuário Pontifício”, a partir do ano 1150 formaram o Colégio Cardinalício com um decano e um Camerlengo, na qualidade de administrador dos bens.

Hoje, os cardeais “constituem um colégio peculiar, ao qual compete providenciar à eleição do Romano Pontífice”, como refere o Código de Direito Canónico.

As funções dos membros do Colégio Cardinalício vão, no entanto, para além da eleição do Papa: qualquer cardeal é, acima de tudo, um conselheiro específico que pode ser consultado em determinados assuntos quando o Papa o desejar, pessoal ou colegialmente.

Como conselheiros do Papa, os cardeais atuam colegialmente com ele através dos consistórios ordinários ou extraordinários, com a finalidade de fazer uma consulta importante ou tratar de outros assuntos de relevo.

Os cardeais são considerados “príncipes de sangue” e são tratados com o título de “eminência”; segundo os Tratados de Latrão, todos os cardeais que residem em Roma são cidadãos do Estado da Cidade do Vaticano (art. 21).


domingo, 1 de setembro de 2019

A Corrida do Cristão



https://www.youtube.com/watch?v=Kjt15LRGHh0

A liturgia deste domingo propõe-nos uma reflexão sobre alguns valores que acompanham o desafio do "Reino": a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado.
O Evangelho coloca-nos no ambiente de um banquete em casa de um fariseu. O enquadramento é o pretexto para Jesus falar do "banquete do Reino". A todos os que quiserem participar desse "banquete", Ele recomenda a humildade; ao mesmo tempo, denuncia a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pelo reconhecimento, de superioridade em relação aos outros... Jesus sugere, também, que para o "banquete do Reino" todos os homens são convidados; e que a gratuidade e o amor desinteressado devem caracterizar as relações estabelecidas entre todos os participantes do "banquete".
Na primeira leitura, um sábio dos inícios do séc. II a.C. aconselha a humildade como caminho para ser agradável a Deus e aos homens, para ter êxito e ser feliz. É a reiteração da mensagem fundamental que a Palavra de Deus hoje nos apresenta.
A segunda leitura convida os crentes instalados numa fé cómoda e sem grandes exigências, a redescobrir a novidade e a exigência do cristianismo; insiste em que o encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à caminhada do cristão. Aparentemente, esta questão não tem muito a ver com o tema principal da liturgia deste domingo; no entanto, podemos ligar a reflexão desta leitura com o tema central da liturgia de hoje - a humildade, a gratuidade, o amor desinteressado - através do tema da exigência: a vida cristã - essa vida que brota do encontro com o amor de Deus - é uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade, o amor que se faz dom.

https://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=2581