domingo, 7 de janeiro de 2018

A Festa da Epifania do Senhor

Resultado de imagem para reis magos natal

Os Magos representam os homens de todo o mundo que se deixam guiar pela mensagem de paz e amor de Cristo. Eles são a imagem da Igreja, composta por gente de todas as raças, tribos, línguas, nações.

Entrar para a Igreja não significa renunciar à própria identidade, não quer dizer submeter-se a uma injusta e falsa uniformidade. Cada pessoa e cada povo mantêm as suas características culturais. Melhor, essas características contribuem para enriquecer a Igreja universal. Ninguém é tão rico que não precise de nada e também ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar. 

Hoje, como no tempo de Jesus, diante da estrela, os homens assumem atitudes diferentes. Há quem como os Magos, se ajoelhe, ou seja, reconheça n’Ele a luz do mundo e se Lhe submeta; há quem fique indiferente; e há, finalmente, quem procure apagar essa luz. Todos viram a mesma realidade: um Menino acabado de nascer. Mas as escolhas foram e são diversas. Quem é capaz de O reconhecer? Os que se deixam eliminar pela Escritura que nos fala d’Ele.

Os Magos entraram na gruta e viram o Menino com Maria, Sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-nO e ofereceram-Lhe:

- Ouro - porque era Rei,
- Incenso – porque era Deus,
- Mirra – porque era Homem. 

Ofereçamos nós também ao Senhor:

- O ouro do nosso trabalho e do nosso voluntariado;
- O incenso das nossas orações que se elevam até Deus;
- A mirra das nossas boas obras e da prática da caridade, aceitando os sacrifícios e as limitações que a vida nos traz. 

Pe. António Sousa

Festa da Epifania


https://www.youtube.com/watch?v=DfgHrHmCLDo


sábado, 6 de janeiro de 2018

A Semana de Francisco


https://www.youtube.com/watch?v=mV50MSp6mVg


Confira os eventos que marcaram a semana do Papa Francisco na primeira semana de 2018.

SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR


https://www.youtube.com/watch?v=no1H1rNPogA



A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.
A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem excepção.
A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.

Será que nas nossas comunidades cristãs e religiosas brilha a luz libertadora de Jesus? Elas são, pelo seu brilho, uma luz que atrai os homens? As nossas desavenças e conflitos, a nossa falta de amor e de partilha, os nossos ciúmes e rivalidades, não contribuirão para embaciar o brilho dessa luz de Deus que devíamos reflectir?
Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?

Intenções de Oração para Janeiro do Santo Padre


https://www.youtube.com/watch?v=XlwEFyNBF5w


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

PADRINHOS DE BATISMO: UM QUEBRA-CABEÇAS

Imagem relacionada

Se toda a comunidade eclesial tem uma parte de responsabilidade no desenvolvimento e na fé da graça recebida no batismo, se os pais têm o primeiro e principal dever de ajudar a integrar na comunidade e fazer crescer a fé dos filhos, também os padrinhos devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar a criança ou o adulto no seu caminho de vida cristã.


O Batismo não é uma formalidade. Não se celebra por ser costume. Não é um mero rito ou um simples acontecimento social. É um sacramento, o sacramento da fé, o fundamento de toda a vida cristã e porta de acesso à plena presença e vida na Igreja. É fonte de responsabilidades, de direitos e deveres. Como manifestação do Seu aniquilamento, Cristo começou a Sua vida pública depois de Se ter feito batizar por João. Após a ressurreição, Ele deu essa missão à Igreja que jamais deixou de ser fiel a esse mandato, batizando crianças e adultos. Na atual economia da salvação, não é a mesma coisa ser-se batizado ou não se ser batizado. “Então não somos todos filhos de Deus?”, perguntará alguém. Deus só tem um Filho, que é Jesus, o Verbo Encarnado. Pelo batismo, porém, tornamo-nos “filhos adotivos de Deus”, amados ao ponto de nos chamarmos e sermos, de facto, filhos de Deus. É pela graça do batismo que isso acontece, pela qual nos tornamos também “participantes da natureza divina”, “templos do Espírito Santo”, “novas criaturas”, membros de Cristo e herdeiros com Ele dos bens do Pai. Não por sermos melhores que os outros, embora, sem veleidades de comparação, nos devamos esforçar por isso. Mas porque, pela misericórdia e graça de Deus, somos chamados a um nível de comunhão maior com Ele, para, em Seu nome, como sacerdotes, profetas e reis, sermos enviados a evangelizar. Uma missão que se deve ser exercida com coerência, humildade, alegria e esperança. Só assim poderemos ser fermento, sal e luz no meio da comunidade humana. A Igreja existe para Evangelizar: ir por todas as nações, fazer discípulos missionários, batizar e ensinar a cumprir, amando. Se Jesus, o único Salvador que se entregou como resgate por todos nós e fora do qual não há salvação, se Ele afirmou que o batismo é necessário para a salvação e quer que todos se salvem, a evangelização mantem toda a sua força, necessidade e urgência, pois a vocação última de todas as pessoas é uma só, a divina. Mas a evangelização ainda não chegou a todo o lado, por isso, cremos que o Espírito Santo, que não se confina aos limites da Igreja nem é monopólio de ninguém, dá a todos e a cada um a possibilidade de se associarem a esta dinâmica da graça do mistério pascal, por um modo que só Deus conhece (GS22, LG16, AG7). Assim, toda a pessoa de boa vontade, viva onde viver, tenha a cultura que tiver e fale a língua que falar, se, sem culpa própria, ignora o Evangelho de Cristo e a Sua Igreja, mas, segundo a sua reta consciência, procura a verdade e faz a vontade de Deus conforme o conhecimento que dela tem, podemos supor que teria desejado conhecer Cristo e teria pedido explicitamente o batismo se tivesse tido conhecimento da sua necessidade (CIgC1260). O mesmo podemos dizer daqueles que, também sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento explícito de Deus mas procuram viver retamente. Os caminhos de Deus são muitos e insondáveis.

Atendendo, pois, à necessidade e à riqueza extraordinária do batismo, não só às crianças, mas a todos quantos o peçam, o Batismo não deve ser negado nem adiado por razões sem razão, mas deve ser, sem dúvida, convenientemente evangelizado e preparado. Isso leva tempo, pode levar anos. E se toda a comunidade eclesial tem uma parte de responsabilidade no desenvolvimento e na fé da graça recebida no batismo, se os pais têm o primeiro e principal dever de ajudar a integrar na comunidade e fazer crescer a fé dos filhos, também os padrinhos devem ser pessoas de fé sólida, capazes e preparados para ajudar a criança ou o adulto no seu caminho de vida cristã. E aqui é que está o busílis e uma das questões que mais dores de cabeça causam aos Párocos, e não só. Por vezes, em reuniões de agentes da pastoral, sobe a voz de uns e aquecem os fusíveis de outros, pelo facto de uns fazerem assim e outros assado. Não raro, até parece que todo o trabalho pastoral se esgota nisso. Pior ainda, quando, alguns agentes da pastoral, julgando-se os melhores e os mais zelosos no terreno, atuam de costas voltadas para a pastoral de comunhão e os princípios orientadores, permanecendo contumazes neste seu jeito de agir por conta própria, ferindo ainda mais o ambiente. Com o Papa Francisco, condenamos o rigorismo azedo e o bater de portas acelerado ou sem maneiras. Condenamos, de igual modo, “o descer da cruz” para agradar e agir por simpatias e interesses.

Eu também sou padrinho de batismo de algumas pessoas, mas quando temos a certeza de que os pais cumprem, ficamos mais descansados. A não ser assim, quando alguém bate à porta de alguém para ser padrinho de batismo, se essa pessoa convidada for cristãmente bem formada, arranjará as necessárias desculpas para se sentir dispensada, pois sabe a responsabilidade que se assume.

O mal-estar e as tensões surgem, sobretudo, quando as pessoas não querem entender e se querem impor, mesmo reconhecendo que não têm condições objetivas para o serem. E quanto maior é a sua ausência da prática eclesial e o desconhecimento das normas da Igreja, com muita mais ousadia se apresentam, querendo ser exceção e sentindo-se com autoridade e capacidade para se imporem e ditar normas. Acham sempre que é um capricho do pároco, até mesmo quando querem ser padrinhos sem terem sido batizados! A insistência pertinaz acaba por deixar uns e outros de cara avinagrada não havendo fair-play pastoral que resista! E não é bonito, nem curial!

Quando, quem preside, fala da conveniência de este ou aquele não o dever ser, não está a querer julgar ninguém, até porque, nestas coisas, há muita gente que eclesialmente se reputa e tem por muito boa e está de harmonia com todas as normas, mas acaba por não fazer nada e ser pior que os outros de quem pouco ou nada se esperava. Todos sabemos disso. Mas, à partida, não é isso que está em causa, nem se trata de descriminação, trata-se dos mais elementares princípios que têm de existir e a Igreja nos aponta e pede.

Embora o batismo seja sobretudo uma questão pastoral, lembrei-me de, a propósito da Festa do Batismo do Senhor, falar deste assunto e transcrever também os cânones do Código de Direito Canónico que se referem aos padrinhos. Assim ordenam:

“Cân. 872 – Dê-se, quanto possível, ao batizando um padrinho, cuja missão é assistir na iniciação cristã ao adulto batizando, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes.

Cân. 873 – Haja um só padrinho ou uma só madrinha, ou então um padrinho e uma madrinha.

Cân. 874 § 1 – Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que:

1º - seja designado pelo próprio batizando ou pelos pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus;

2º - tenha completado dezasseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou o pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se exceção;

3º - seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar;

4º - não esteja abrangido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada;

5º - não seja o pai ou a mãe do batizado.

Cân. 874 § 2 – Um batizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica só se admita juntamente com um padrinho católico e apenas como testemunha do batismo”.

Quando, no Capítulo V, a seguir, o Código fala da prova e anotação do batismo, e não tendo havido padrinhos, diz que haja ao menos uma testemunha (não é padrinho, é testemunha para a prova e anotação do batismo) diz assim:

“Cân. 875 – Quem administra o batismo procure que, se não houver padrinho, haja ao menos uma testemunha, com que se possa provar a colação do batismo”.

Como dizem estes cânones em vigor, não é obrigatório haver padrinhos. Às vezes, até tenho a tentação de pensar que, entre nós, melhor seria que os não houvesse, tal é a banalização a que se chegou, banalização do perfil e da missão dos padrinhos, e as tensões que tantas vezes geram. Mais dizem os cânones: Pode haver um só padrinho, ou uma só madrinha. Se forem dois, seja um padrinho e uma madrinha, não diz que podem ser duas madrinhas ou dois padrinhos. Diz ainda que um batizado pertencente a uma outra igreja cristã, será admitido juntamente com um padrinho católico e assinará apenas como testemunha do batismo. E num batizado em que não haja padrinhos, alguém assinará como testemunha, não porque é ou vá ser padrinho, mas apenas como testemunha para a prova do batismo.

Sabemos que os párocos, atentas as condições de quem lhes é apresentado, e porque cada caso é cada caso, têm a obrigação de, com todo o acolhimento e solicitude pastoral, ajudar as pessoas a discernir para que façam a melhor opção para o bem espiritual da pessoa batizada, tendo também em conta, se, sendo essa pessoa aceite como padrinho, não irá criar escândalo ou mal-estar na comunidade à margem da qual se comporta e vive, ou se o seu nome não irá andar badalado, negativamente, por não medir as consequências das funções que quer assumir: toda a gente, mesmo que o deva à justiça, tem direito à boa fama. “Mas ninguém tem nada com isso”, dirá alguém armadilhado em forte. Mas aí é que está também o erro. É que tem mesmo. Somos membros dum único corpo e cada membro ou órgão desse corpo deve exercer bem a sua função contribuindo assim para a beleza saudável e harmónica do todo que é o corpo. O batismo constitui o fundamento dessa comunhão entre todos os cristãos, e toda a comunidade eclesial, povo de Deus da Nova Aliança, tem uma parte de responsabilidade no desenvolvimento e na fé da graça recebida no batismo dos seus membros. Pena é que, por débil formação cristã, as comunidades se vão esquecendo deste seu direito-dever: serem comunidades de discípulos missionários.

D. Antonino Dias - Bispo de Portalegre Castelo Branco
5-01-2018