Curar o cego foi fácil para Jesus.
Um pouco de terra misturada com saliva.
Um gesto simples.
Um caminho até à piscina de Siloé…
E o homem começou a ver.
Mas o verdadeiro problema desta história não é a cegueira de quem não via.
O verdadeiro problema é a cegueira de quem pensava ver.
Porque há uma cegueira pior do que não ver:
é pensar que já se vê tudo, mas não se vê nada!
Vivemos rodeados de imagens, opiniões e certezas.
Olhamos para tudo… mas vemos tão pouco.
Passamos pelas pessoas, pelas suas histórias, pelas suas lutas silenciosas…
e tantas vezes nada nos toca.
A rotina cansa o olhar.
O orgulho endurece o coração.
E a presunção faz-nos acreditar que já sabemos tudo.
Mas Deus vê de outra maneira.
A Bíblia diz-nos:
“O homem vê as aparências. Deus vê o coração.”
Nós vemos o exterior.
Deus vê a história.
Nós vemos erros.
Deus vê possibilidades.
Os olhos daquele cego abriram-se…
mas foi o coração que aprendeu a ver.
Talvez a oração mais verdadeira deste Evangelho seja simples:
Senhor, que eu veja.
Que eu veja o bem que existe nas pessoas.
Que eu veja a tua presença na minha vida.
Que eu veja a beleza escondida nas pequenas coisas.
Que eu veja a dor que precisa da minha compaixão.
Porque quando Deus abre os olhos de alguém…
o mundo continua o mesmo —
mas tudo começa a ser visto de outra maneira.
Padre Joâo Torres
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