terça-feira, 9 de setembro de 2025

Irmã Markéta Maria da Alegria recebe hábito no Mosteiro de Campo Maior da Ordem da Imaculada Conceição

Jovem da República Checa esteve nas Jornadas Mundiais da Juventude de 2023 em Lisboa


Foto: Pedro Miguel Conceição/ jornal a defesa

Évora, 08 set 2025 (Ecclesia) – A Comunidade das Monjas Concepcionistas da Ordem da Imaculada Conceição do Mosteiro de Campo Maior viveu “a alegria” da celebração da tomada de hábito da postulante Markéta Janovská, presidida pelo Arcebispo de Évora.

O ritual da Tomada de Hábito, dia 06 deste mês, antecedeu a celebração da Eucaristia e o momento marcante foi “o corte de cabelo como sinal de despojamento das vaidades do mundo”, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Após vestir o hábito, foi anunciado que a partir de agora a jovem Marketa assume o nome de Sor Marketa Maria da Alegria.

A Markéta é uma jovem de 22 anos, natural da República Checa e fez o seu percurso de fé inserida numa Comunidade do Caminho Neocatecumenal, com quem passou pelo Mosteiro durante as Jornadas Mundiais da Juventude de 2023
em Lisboa
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Foto: Pedro Miguel Conceição/ jornal a defesa

“O testemunho da Markéta é uma prova visível de que a Deus nada é impossível, nem mesmo as distâncias ou a barreira linguística”, sublinha a Comunidade das Monjas Concepcionistas.

“Seguir a Cristo, mediante a oração e a imitação da pureza de Nossa Senhora a exemplo de Santa Beatriz é o carisma da nossa Ordem, o qual a jovem Markéta deseja experimentar mais intensamente, aceitando fazer a vontade do Senhor, e por isso inicia agora o Noviciado com a cerimónia da Tomada de Hábito, que é a expressão visível deste desejo de se entregar ao Senhor e de cortar com as vaidades do mundo”, afiança a Comunidade.

Na homilia D. Francisco Senra Coelho afiançou que a Markéta é “o sorriso de Deus para o Povo de Deus e para a Humanidade”.
Foto: Pedro Miguel Conceição/ jornal a defesa

“O chamamento à vocação e o sim da Markéta é a certeza que Deus nunca abandona o seu povo. É sinal de esperança e motivo de júbilo para esta Comunidade Concepcionista, para a Arquidiocese e para toda a Igreja”, referiu.

“Nesta atitude de resposta radical ao Amor de Deus é que nasce a Alegria”, afiançou o Arcebispo de Évora, desafiando todos “a darmos o nosso sim ao Amor de Deus”.

Perante a escassez de vocações em alguns lugares do mundo, o prelado referiu que “o homem de hoje tem dificuldade em assumir-se membro de uma Igreja”.

“O Senhor não se importa com números, mas sim com a verdade. Não devemos colocar o cristianismo em saldos por causa do número de vocações”, referiu, apelando que a “nossa atitude deve ser sempre de fidelidade ao Evangelho”.

No final da celebração a jovem Sor Marketa Maria da Alegria deu testemunho da sua felicidade afiançando que “quero ser toda de Cristo, quero entregar-me toda a Deus”, comunicando com um sorriso aberto e uns olhos brilhante.

LFS

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Troca os espelhos por janelas



As janelas são uma espécie de ponte entre o interior e o exterior. Há quem as feche e que ainda ponha cortinas, o que impede toda a comunicação entre um lado e o outro.

Há, em cada um de nós, uma janela onde ocorre um encontro interessante: o que nos habita procura saber mais sobre o mundo, e o mundo, por sua vez, tem vontade de espreitar para dentro de nós. Se abrirmos a janela, deixamos que o vento e a luz entrem, e quem está de fora pode ver-nos melhor; assim, também nós podemos aprender mais sobre tudo o que há para além de nós.

Mas, se a vontade de encontro e da troca é muito importante, não é suficiente para que possamos tirar o melhor proveito. A janela não olha. Mais do que abrir a janela, importa saber olhar. Há quem abra a janela, mas feche os olhos. Há quem os tenha abertos, mas teima em não ver senão aquilo que quer ver e ignorando, com uma teimosia orgulhosa, o que está diante de si.

Quem assim fecha as cortinas, ainda que tenha os olhos abertos e nos pareça sensato, não vê senão… as suas próprias cortinas.

É bom estar à janela, atento como uma criança que sabe que tem muito para aprender. Um pôr do sol, do início ao fim, é um dos mais belos espetáculos que podemos contemplar. No entanto, são poucos os que deixam tudo de lado por meia hora para assistir à chegada da noite.

É bom estar à janela do nosso coração e ver a vida ao nosso redor. Não nos deixemos inebriar e corromper por tantas falsas janelas que prometem muito, mas apenas nos mostram mundos que não existem e cujo único objetivo é consumir-nos.

Não nos deixemos levar pelas ilusões. Troquemos os espelhos (de todos os tipos) por janelas que nos abram à verdade do mundo e aos outros!


José Luís Nunes Martins

domingo, 7 de setembro de 2025

O CAMINHO

 



Nas leituras que a liturgia deste domingo nos propõe sobressai a temática do “caminho”: a nossa vida é um caminho, nem sempre linear, nem sempre fácil, que nos leva até à meta final da nossa existência, a vida verdadeira e eterna. O que devemos fazer e que precauções devemos tomar para não nos desviarmos e falharmos o alvo? Quem nos conduzirá e nos apontará a direção certa?

Na primeira leitura, um “sábio” de Israel reflete sobre as limitações que são inerentes à nossa condição de seres humanos. Ele acredita que a única forma de chegarmos à vida verdadeira é acolhermos a “sabedoria” de Deus e deixarmo-nos guiar por ela. É esse o caminho que ele sugere a todos aqueles que se preocupam em construir uma vida plena de sentido.As modernas tecnologias de comunicação revolucionaram a nossa forma de nos relacionarmos uns com os outros. Fizeram com que todos os habitantes da “aldeia global” ficassem em rede e pudessem partilhar ideias, opiniões, perspetivas, teorias, apreciações, observações, críticas positivas e negativas… Tudo isto pode ser profundamente enriquecedor: pode aproximar-nos de pessoas com outras experiências e vivências, ajudar-nos a entender a verdade do outro, tornar-nos mais tolerantes, mostrar-nos o sem sentido dos nossos preconceitos, abrir-nos à partilha e à comunhão, oferecer-nos conhecimentos a que de outro modo não teríamos acesso. Mas, em contrapartida, todo esse ruído de fundo de ideias e opiniões que a cada instante invade a nossa vida, pode confundir-nos e interferir com a nossa capacidade de fazermos escolhas convenientes. Levados pela “onda”, vamos assumindo acriticamente, sem nos darmos conta, a ideologia dominante, os “valores” que os líderes de opinião procuram impor, as visões da maioria… Será que tudo isso que a “vaga” tecnológica traz até à nossa “praia” nos conduz no sentido da vida plena, da realização total, da verdadeira felicidade?

No Evangelho, Jesus traça as coordenadas do “caminho do discípulo”. Quem se dispõe a percorrer esse caminho, deve caminhar de olhos postos em Jesus e no Reino de Deus. Não pode deixar-se distrair, nem pelas pessoas, nem pela preocupação dos bens materiais, nem pelos seus projetos e interesses pessoais. Quem embarca na aventura do Reino de Deus tem de fazê-lo sem reticências, sem condições, com total empenho e compromisso.Paulo põe o amor no centro de toda a experiência cristã. Ele acredita, na linha de Jesus, que o amor é o valor fundamental na construção de um mundo renovado. A injustiça, a exploração dos seres humanos, a escravatura, a guerra, não desaparecerão através do recurso a métodos violentos. Os métodos violentos só servirão para substituir uns senhores por outros senhores, uns escravos por outros escravos, uns sofredores por outros sofredores. A construção de um mundo mais feliz e fraterno só acontecerá com a conversão dos corações ao amor. Quando essa conversão se der e nascer a civilização do amor, teremos finalmente um mundo mais humano, mais justo, mais pacífico. É esta também a nossa convicção? Estamos disponíveis para nos convertermos ao amor e sermos arautos – com palavras e gestos – de um mundo mais fraterno?

Na segunda leitura, a partir da história de Onésimo, o escravo fugitivo, São Paulo lembra-nos que o amor é o foco fundamental que ilumina o caminho que os discípulos de Jesus percorrem na história. É o amor que nos permite descobrir a igualdade de todos os homens, filhos do mesmo Pai e irmãos em Cristo; é o amor que nos permite acolher e abraçar todos os “Onésimos” que encontramos no caminho.Paulo põe o amor no centro de toda a experiência cristã. Ele acredita, na linha de Jesus, que o amor é o valor fundamental na construção de um mundo renovado. A injustiça, a exploração dos seres humanos, a escravatura, a guerra, não desaparecerão através do recurso a métodos violentos. Os métodos violentos só servirão para substituir uns senhores por outros senhores, uns escravos por outros escravos, uns sofredores por outros sofredores. A construção de um mundo mais feliz e fraterno só acontecerá com a conversão dos corações ao amor. Quando essa conversão se der e nascer a civilização do amor, teremos finalmente um mundo mais humano, mais justo, mais pacífico. É esta também a nossa convicção? Estamos disponíveis para nos convertermos ao amor e sermos arautos – com palavras e gestos – de um mundo mais fraterno?


https://www.dehonianos.org/

DOIS JOVENS VIVAÇOS E SANTOS, COMO CONVÉM!...



Domingo, 7 de setembro, Carlo Acutis e Pedro Jorge Frassati são canonizados pelo Papa Leão XIV. A Canção Nova e o Vaticano News, com início às 9 horas, fazem transmissão em direto. O mundo precisa de jovens desta têmpera, traquinas e santos, verdadeiros profetas da mudança. Recordo alguns dados das suas vidas, baseando-me em tanto que sobre eles se tem escrito. Um faleceu com 15 anos de idade, o outro com 25. Foram patronos de Jornadas Mundiais da Juventude.

CARLO ACUTIS
Em outubro de 2006, falecia Carlo Acutis, um jovenzinho que soube marcar a diferença. Embora tivesse nascido, em 1991, em Londres, foi Milão que o viu crescer. Cheio de vida e alegre como todos os jovens, a todos cativava pela sua serenidade e entusiasmo pela vida. Antónia Salzano e Andrea Acutis, seus pais, ainda relativamente novos, sempre foram credíveis no seu testemunho de fé e nunca delegaram o seu dever de educar na fé. Dotado de uma inteligência acima da média e apaixonado pela vida, Carlo entendera bem o chamamento à santidade e quanto bem podia fazer pelos outros, com gestos simples, realizados com amor. Alegre e altruísta, sempre animado, foi voluntário em muitos projetos, sobretudo dirigidos para os mais necessitados. De noite saía de casa com comida e bebidas quentes para os sem-abrigo, com os quais também partilhava as suas economias. A Eucaristia era para ele um bem precioso, indispensável, era a autoestrada para o céu, como ele dizia. Tornou-se popular e muito apreciado, um exemplo de fé concreta e alegre, testemunhando elevada maturidade espiritual. A sua história despertou profunda admiração e comoveu muitíssima gente. Fascinado por lugares sagrados, visitava os santuários, não esquecendo aqueles em que se falava de milagres eucarísticos. Em 2002, esteve em Fátima e no Santuário do Santíssimo Milagre, em Santarém. Já tinha iniciado a criação de um mapa dos locais onde teriam acontecido milagres eucarísticos, pois tinha vontade de fazer uma exposição internacional. Se Francisco de Assis era o seu santo predileto, ele tinha grande devoção ao Anjo da Guarda e à oração do terço diário, frequentava os sacramentos.
Criou um site dedicado aos milagres eucarísticos e à vida dos santos, procurando ajudar aqueles que desejavam marcar a diferença. Tornou-se um profeta da mudança, soube utilizar as redes sociais, foi criativo e genial, usando as técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho, para comunicar valores e beleza. Das Filipinas a Cabo Verde, do Brasil à China, em todo o mundo está presente esta sua herança espiritual. Deixou-nos o testemunho de uma “outra forma de viver a juventude”. Fez “brilhar os traços da idade juvenil em toda a sua beleza”. Imaginava um futuro melhor e possível, resolveu ajudar a construí-lo sem querer ser fotocópia de quem quer que fosse. Sabia-se e queria ser original com os dons que o Senhor lhe tinha dado, pois afirmava que “todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias”.
Uma leucemia fulminante, porém, levou-o para junto do Senhor, a quem amava e anunciava, tinha apenas 15 anos: "Estar sempre junto com Jesus: este é o meu plano de vida" dizia ele. No seu funeral, havia migrantes, alguns muçulmanos e hinduístas que o conheciam pela empatia que gerava. Como refere a Sagrada Escritura, “até os jovens se cansam e afadigam; até os rapazes tropeçam e caem, mas os que põem a sua esperança em Deus renovam as suas forças, abrem asas como as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se cansam” (Is 40, 30-31).

PIER GIORGIO FRASSATI
Pedro Jorge Frassati também soube marcar a diferença. É capaz de rasgar horizontes no coração daqueles que andam à procura de vida com sentido. Comprova que a santidade, sendo tarefa que não se pode delegar, é possível a todos: crianças, jovens e menos jovens, cada um pelo seu caminho e nas suas circunstâncias existenciais. Nasceu em Turim, em 6 de abril de 1901. Aí viveu e cresceu, a maior parte da vida, no seio de uma família abastada e da alta burguesia. Seu pai, Alfredo Frassati, era jornalista, fundador e dono do jornal "La Stampa". Foi embaixador em Berlim, demitiu-se quando Mussolini assumiu o poder. Sua mãe, Adelaide Ametis, era uma pintora famosa. Embora fosse educado cristãmente, a vivência da fé em família ficava muito aquém do que ele desejava. Sua mãe animava-o a comprometer-se nas dinâmicas da paróquia. Aí foi fazendo o seu caminho, em vida feliz e socialmente comprometida, espevitando o seu crescimento espiritual e a sua ação apostólica. Conheceu a Ordem Terceira dos Dominicanos, a Ação Católica, o Apostolado da Oração, a Liga Eucarística, a Associação dos jovens adoradores universitários, os centros da Juventude Mariana Vicentina e a Conferência de São Vicente de Paulo. Tinha como passatempo favorito visitar os doentes e os casebres das periferias de Turim. “Ao redor dos pobres e dos enfermos eu vejo uma luz particular que nós não temos”, ou: “Jesus faz-me visita cada manhã na Comunhão, eu restituo-a no mísero modo que posso, ou seja, visitando os pobres”. Porque levava às casas dos mais necessitados as mais variadas coisas, desde lenha e roupas a alimentos e móveis, porque gastava a mesada que a família lhe dava nestas atividades caritativas, os seus colegas chegaram a denominá-lo como a “Empresa de Transportes Frassati”.
Porque entendia que a Caridade não era suficiente e que eram precisas reformas sociais, foi um dos fundadores do jornal “Momento”, destinado a explanar os ensinamentos sociais do Papa Leão XIII. Chegou a ter polémicas acesas com adeptos do Partido Fascista e esteve inscrito no Partido Popular Italiano. Como desejava trabalhar perto dos operários pobres, decidiu estudar Engenharia Industrial Mecânica, em Turim, com especialização em mineração, pelo facto de os mineiros serem os operários mais pobres de entre os explorados. Quando esteve em Berlim, em tempos que seu pai era Embaixador, ainda pôs a questão de vir a ser sacerdote, ideia que logo deixou por achar que não tinha vocação. Seus pais queriam exigir dele mais do que ele aparentava querer. O pai chegou a classificá-lo de “homem inútil” e à deriva, acompanhando pessoas que não estavam à sua altura. Pedro Jorge sorria, aceitava as repreensões de modo sereno, sabia lidar com todos. Gostava do teatro, da poesia, da arte, da música, da ópera, de visitar museus, recitava versos de Dante Alighieri de cor, escrevia com beleza e profundidade, amava o desporto, sobretudo o esqui e o montanhismo, escalou os Alpes e o Vale de Aosta, adorava as montanhas, extasiando-se a contemplar o ar puro e a beleza do Criação. Nesta sua maneira séria e divertida de estar na vida, chegou a fundar a “Sociedade de Tipos Estranhos” ou dos “arruaceiros”, cujos membros, “desonestos e vigaristas”, recebiam apelidos engraçados. O dele era “Robespierre”. Faziam excursões, contavam piadas, mas, sobretudo, aspiravam à amizade mais profunda fundada na oração e na fé.
Atingido por uma meningite fulminante, faleceu cerca de quinze dias depois, em 4 de julho de 1925, com apenas 24 anos de idade. Milhares de pessoas participaram nas exéquias. Familiares e amigos ficaram estupefactos com a presença de tantos pobres de Turim que ele havia ajudado, material, social e espiritualmente. Seu pai ficou inconsolável e arrasado pelo vazio que a morte de Pedro lhe causara. Impressionado com a multidão presente, reconheceu que só compreendeu bem quem era o seu filho quando o perdeu para sempre. Aos poucos, foi-se aproximando da fé numa conversão maravilhosa que muitos consideraram ser o "primeiro" milagre de Pedro Jorge. É amado e venerado em todo o mundo, desde a Patagónia à Polónia, das Filipinas à França, dos Estados Unidos à Austrália.

D. Antonino Dias . 
Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 06-09-2025.

sábado, 6 de setembro de 2025

A mudança começa hoje, agora, comigo, contigo!


O lugar que vivemos evoca a tensão de viver, trabalhar e forjar relações que nem sempre são simples e pacíficas: falam da complexidade da vida, feita de luz e sombra, felicidade e sofrimento, e das responsabilidades que devemos carregar, por vezes dolorosas.

O passar dos dias é muitas vezes uma sucessão de ações, coisas para fazer ou pensar, que nos impedem de viver o tempo, com relações duradouras e profundas.

Um tempo mais descontraído pode preparar-nos para uma ligação mais acolhedora e humanizadora connosco próprios e com os outros.

As férias permitem-nos viver um espaço e um tempo diferentes, não só fisicamente, mas também espiritualmente: a simplicidade, a autenticidade e a espiritualidade.

Quase nos tornámos pessoas diferentes, menos perdidas e mais solidárias, capazes de criar laços simples e próximos. Durante as férias, cumprimentamos as pessoas ou aqueles com quem partilhamos o caminho, sem medo nem preconceitos.

O outro, já não é um inimigo do qual precisamos de nos defender, ou um estranho que nos ameaça ou nos tira algo, mas uma pessoa como eu.

Então é natural ser solidário, brincar com estranhos, saborear como é bonito estar juntos como irmãos...

Redescobrimos a nossa identidade que é relacional. Somos feitos uns para os outros, para o encontro, para a comunhão. Nada somos sem o outro.

É o renovar, não só da energia mas também da Esperança! Depois de desfrutar da simplicidade de uma vida mais humana e fraterna, acreditamos que é possível construí-la a cada dia que passa.

A Esperança cristã não é um tranquilizante nem um analgésico para a nossa rotina do quotidiano, mas é aquele impulso interior que, iluminado pela fé na Páscoa de Jesus, nos impele a não desistir de crer na vida. Convida-nos a arregaçar as mangas para poder dar sinais positivos ao nosso mundo.

É um tesouro que não pode ser guardado numa mala, conservado durante um ano, mas uma pérola preciosa para ser cultivada e feita brilhar no lar, aberta ao convívio e ao acolhimento de todos, todos, todos os nossos irmãos.

Que a lembrança de umas férias em que experimentamos descanso e confraternização se torne para todos uma oportunidade de forjar novas relações no quotidiano marcado pelo trabalho e pela família.

A mudança começa hoje, agora, comigo, com cada um de nós, sem esperar pelo amanhã ou por alguma solução milagrosa: hoje pedem-me para ser responsável e comprometido em tecer o bem na minha família, onde trabalho, no meu tempo livre...


Paulo Victória

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A ONU E O DIA INTERNACIONAL DA CARIDADE



Na sua Resolução de 17 de dezembro de 2012, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu designar o dia 5 de setembro de cada ano - dia do aniversário da morte de Santa Teresa de Calcutá -, como Dia Internacional da Caridade. A data foi escolhida para homenagear esta mulher, Prémio Nobel da Paz. O maior prémio que recebeu, porém, foi, sem dúvida, o da ‘incorruptível coroa de glória’, o qual lhe foi atribuído pelo Senhor da prova, o Justo Juiz, por ela ter atingido a meta a servir com alegria e amor: é santa canonizada! Nascida em 1910 na atual Macedónia do Norte, faleceu a 5 de setembro de 1997, com 87 anos, reconhecida mundialmente pela sua dedicação aos mais desfavorecidos, independentemente da sua religião, raça ou condição social. A sua vida foi acolher, cuidar, acompanhar, dignificar, fortalecer e aliviar o sofrimento das pessoas que se encontravam em situações de maior vulnerabilidade. Pautou a sua vida por aquilo em que verdadeiramente acreditava: “ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como bronze que ressoa ou como símbolo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita. A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O dom da profecia acabará, o dom das línguas há de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca” (1Cor 13)
A Organização das Nações Unidas está consciente de que a caridade contribui para sociedades mais inclusivas, resilientes e justas, alivia os piores efeitos de crises humanitárias, dispõe o coração para servir o próximo, gratuitamente, levando as pessoas a agir com compaixão e generosidade em cada circunstância do seu dia-a-dia. Para nós, cristãos, agir na caridade é participar na realeza de Jesus Cristo, que veio para servir e não para ser servido. A caridade é “o dom mais alto que o Espírito dá em ordem à edificação da Igreja e ao bem da humanidade. A caridade anima e sustenta a solidariedade ativa que olha para a totalidade das necessidades do ser humano. Uma caridade assim, atuada não só pelos indivíduos, mas também, de forma solidária, pelos grupos e pelas comunidades, é e será sempre necessária: nada e ninguém a pode e poderá substituir, nem sequer as múltiplas instituições e iniciativas públicas, que também se esforçam por dar resposta às carências - muitas vezes hoje tão graves e generalizadas - de uma população. Paradoxalmente, essa caridade é tanto mais necessária quanto mais as instituições, ao tornarem-se complexas na organização e pretendendo gerir todos os espaços disponíveis, acabam por se esvaziar devido ao funcionalismo impessoal, à burocracia exagerada, aos interesses privados injustos e ao desinteresse fácil e generalizado” (ChFL 41).
No entanto, quer se aceite como uma das virtudes teologais, quer se veja como sinónimo de filantropia, quer se tenha como expressão de solidariedade ou de mero desejo de fazer o bem, quer se entenda como apoio aos mais necessitados e desfavorecidos ou a outras causas sociais e culturais, a caridade só será Caridade se não procura o seu próprio interesse, se for fruto do amor efetivo que não espera recompensa.
Esta iniciativa, que contribui para a erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável, se já reconhece o papel de quem abnegadamente se dá a estas causas, procura envolver, ainda mais, o setor privado, a sociedade civil, o voluntariado e todas as iniciativas do bem-fazer. A caridade envolve, orienta, impulsiona, gera esperança e energia saudável, afasta da indiferença, faz da sociedade uma sociedade mais humana e mais solidária, manifesta atenção, cuidado, partilha, compromisso: semeia a paz! Integrar a caridade na vida diária deveria constituir um desafio para cada pessoa e cada instituição. São estes gestos de amor que transformam quem os recebe e quem os dá, seja através de iniciativas de vulto, seja através de um simples sorriso, duma palavra de estimulo, duma ajuda surpresa, dum pequenino gesto de amor. Além disso, a caridade sustenta o mutualismo que organiza a solidariedade com estruturas de cooperação a durar no tempo. Cria redes de apoio no campo da deficiência, da saúde, da educação, da habitação, do desporto, da cultura e doutras iniciativas e projetos de relevância.
“Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros. Se tiverdes amor uns para com os outros, todos reconhecerão que sois meus discípulos”, disse-nos Jesus (Jo 13, 34).


D. Antonino Dias - Bispo Diocesano
Portalegre-Castelo Branco, 05-09-2025


Setembro é....



Setembro é....

O convite da vida para observar os pequenos nadas que são tudo.
De redirecionar a rota com a bússola do coração, onde o pensamento também tem espaço. Pois, "o amor sem o pensamento é vazio e o pensamento sem o amor é oco" - carl Jung.

Há pessoas que me mostram essa verdade, entre a resistência, a fé e a esperança... e que são colo, abraço e coragem. Espero que isso (me) baste, para relembrar o essencial.

Acho mesmo que o tempo traz uma sabedoria única...da experiência, da percepção...do que vai permanecendo ou o do que está em constante impermanência. E, na verdade, nao é o tempo que se perde, é o tempo que se ganha... e tudo o que nos fortalece e nos permite olhar com mais clareza para cada dia.

Não há nenhuma magia, a não ser a da vida. Não há nenhum segredo, a não ser o de continuar com o coração aberto. Escolher o simples, mesmo nos dias mais pesados...

É cada escolha, cada passo na direção do queremos alimentar dentro de nós, que nos permite viver com mais harmonia.

Que setembro seja a melodia do recomeçar.

Boa semana! Bons recomeços!


Carla Correia,