sexta-feira, 22 de maio de 2026

O remédio para as feridas do coração

              


Se a felicidade fosse uma questão de inteligência, então haveria muito mais gente feliz do que existe.

O amor não é lógico. À primeira vista, o egoísmo parece muito mais prudente do que a entrega gratuita sem garantia de reciprocidade.

Os nossos sentimentos e a voz da nossa alma também nos dão indicações em relação aos destinos e caminhos que devemos escolher. Por mais que a razão tente impor-se, a verdade é que ela, por si só, não nos faz felizes.

Se o sentido da vida é a busca da felicidade, então a inteligência é apenas mais uma das ferramentas. Muitas vezes é o coração que tem de abrir as portas da prisão em que os pensamentos nos aprisionaram a alma.

Um sofrimento para o qual não se encontra sentido não deixa de doer; muitas vezes, dói ainda mais. A inteligência nem sempre é a melhor conselheira da paz interior.

O sonho é ilógico e, no entanto, pode preencher muitos vazios interiores. Há quem decida procurar no céu o que não tem na terra. Acreditar é uma das forças essenciais para criar grandes obras.

Talvez os sonhos sejam a forma de o coração pensar.

Importa lembrar que, por mais que reflitamos, há verdades que só se revelam quando entregamos a questão a um silêncio profundo e paciente.

Os sonhos permitem-nos estabelecer metas, imaginar soluções, descobrir forças e ir mais longe do que alguma vez imaginámos.

O amor é o caminho e a força necessária para seguir em frente. A grandeza do amor mede-se pelo que alguém é capaz de sacrificar por ele.

O amor é o remédio para as feridas do coração — feridas que só tem quem não desiste de sonhar.


José Luís Nunes Martins


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