É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Não se pode pisar nada de novo se continuamos a persistir no que foi antigo. Há que existir uma libertação para que possamos começar uma nova ação. Só deste jeito permitiremos que o perdão nos seja dado. Deixando que tudo seja, de novo, trabalhado em nós para que a renovação aconteça na nossa total dignidade. Que nunca se esvaece, que nunca se perde.
É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Pode ter ficado escrito, nas marcas que delimitam a nossa humanidade, mas não se deve tornar em travões, que nos fazem arrastar os pés, em busca daquilo que tanto desejamos: deixarmo-nos ser efetivamente! Só assim poderemos voltar a ver mais e melhor. Despontando, de uma vez por todas, a novidade de podermos viver cada dia como dádiva permanente.
É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. Agarrarmos o nosso coração despedaçado e quebrado e passar-lhe a mão da vida. A mão que sustenta todo aquele que parece perdido. A mão que aponta no meio da escuridão para a aurora da vida. A mão que é capaz de manter a sinfonia da vida ao ritmo dos hinos da alegria.
É preciso deixar no passado aquilo que foi passado. É o agora que existe. E este agora pode ser eternizado, porque viverá na certeza de que nada se dá por terminado e que ninguém pode ser acabado. Este agora pode ser eternizado, porque se alicerça na vontade de recomeçar vezes sem fim na esperança de voltar a caminhar por trilhos jamais imaginados.
É preciso deixar no passado aquilo que foi passado!
Hoje, se quiseres purificar-te diante das tuas sombras, pergunta-te demoradamente: quantas vezes deixaste que a Luz te visse? quantas vezes permitiste que a Luz te amasse?
1 - No princípio da semana, no jornal das 8, a TVI teve um rasgo menos feliz ao dizer o que disse. São coisas que acontecem!... Quem anda à chuva molha-se. E, neste caso, molha-se tanto mais quanto o tempo tem pressa e leva a dizer o que se pensa sem se poder pensar bem em tudo o que se diz. A propósito de o norte de Portugal ser a zona mais castigada pelo Convid-19, a TVI quis esclarecer porque é que isso acontecia. Puxou por trunfos demográficos e sociológicos indagados junto de gente que julgou habilitada para o fazer, confiou nos intermediários e a coisa saiu como saiu: “população menos educada, mais pobre, envelhecida e concentrada em lares”. Isto fez chover mosquitos por cordas nas redes sociais. Colocou a paciência dos nortenhos a fazer o pino olímpico, e o coração de muitos ferveu até lhe saltar o testo. Não tardou a vontade de “cevar a arma com os zagalotes” necessários para mimosear a dita cuja com “um tiroteio de palavradas de tarimba”, usando linguagem de Camilo. E foi o que aconteceu! Sem amolgadelas que se olhassem, deram-lhe uma sova de fazer doer e explicar-se. Ela, porém, redimiu-se, reconheceu o erro, chamou-lhe “erro grosseiro”, pediu desculpa pela “construção de uma frase infeliz no ecrã” e pela “parte do texto que a suportava”. Defendeu os pergaminhos da Estação nos serviços que presta, inclusive ao Norte. Se começou mal, acabou bem, a febre baixou, e o estudo sobre a questão continua nas mãos dos especialistas! Assanhados quanto baste com as diabruras do covid-19, esses piropos atirados assim do alto, mesmo que involuntários, são precioso combustível para a fogueira do protesto. E, como sabemos, o toutiço aquecido, tirado do sério, fica a zaranzar, acredita no pior e faz o que acha melhor. Esperamos que isto não aconteça muitas vezes, senão, qualquer dia, já tão desalentados, pode acontecer-nos como aconteceu ao caixeiro-viajante de Kafka, o Gregor Samsa. Podemos acordar metamorfoseados num inseto gigante ou noutra coisa assim (ao gosto do leitor!). Se nos virem a passear pelas paredes e pelo teto do quarto, se fizermos desmaiar quem nos olhar, não nos incomodaremos muito com isso. A preocupação com as consequências do bichito em que nos tornamos, bem como a preocupação com o trabalho, o emprego, a família e a sua vida financeira a rabiar, não o permitirão. Mas continuaremos a dizer que tudo está bem, mesmo que embalados ao som do violino. Mas não está, e é feio mentir. E, nesta hora, pior ainda, não está mesmo. Com tantos colaboradores admiráveis, e de boa vontade, em frenesim de cuidados e atenções, pode acontecer que, na possível e infeliz hora em que nos batam à porta para que nos expliquemos, é possível que já não tenhamos médico nem marceneiro que nos destranque a porta. Tidos, porventura, como mal educados, pobres, envelhecidos e a viver em lares, talvez que este aranhiço (ou isso!) em que nos possamos transformar, seja repelente e se queiram livrar dele, ou morramos de inanição, ou ferozmente acarinhados ao colo desse bandalho que é o vírus e que nem físico tem para lhe chegarmos a roupa ao pelo. Tenhamos esperança que não, vai ficar tudo bem, fique em casa, não chegará atrasado ao emprego, o trem aguarda!... (Sugiro a leitura de A Metamorfose de Franz Kafka).
2 - Este outro, sim, mesmo que o leitor lhe queira dizer umas tantas por ele ter dito o que disse, ele já não se ralará, não estará recetivo ao contraditório nem presente em qualquer debate. Nem que o debate seja sobre o futebol ou para discutir a relevância do fósforo como acendalha do cigarro. Embora gostasse de viver, já partiu para o outro lado da vida, e partiu bem vivido e humorado. Partiu em dezembro de 2000, com 99 anos de idade, mesmo fumando cachimbo! Acredito que, se lá onde está, memória deste mundo se consente, acredito que, à mesa do banquete eterno, dê por lá, contagiando os convivas, algumas sonoras gargalhadas ao apreciar como estes bípedes humanos se comportam por estas terras, tão desempoeirados em peneiras e quejandos. Chamava-se Louis Leprince-Ringuet, engenheiro, professor catedrático, físico nuclear, historiador, ensaísta, membro da Academia Francesa e da Academia de Ciências de França, detentor de prémios e comendas, com papel importante no Comissariado para a energia atómica e na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, mais conhecida por CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo. Quem mais souber acerca dele tenha a liberdade de acrescentar, a galhofa dele será maior!... Mas não era mosca morta não senhor, nem tinha vergonha de dizer que a sua fé em Deus lhe justificava a fé no homem e na sua capacidade de transformar o mundo para melhor. Vivia fiel ao princípio de que “o homem só tem luz na medida em que se inclina, a humildade da inteligência é a medida da sua grandeza”. No seu livro “Fé de Físico – o testamento de um cientista”, deixa transparecer muito da sua maneira de ser e estar. Se atento à ciência, não menos à sociedade e à causa pública. Um homem do saber e interventivo. Não apreciava muito os intelectuais descomprometidos, os “de mãos limpas” aqueles que pretendem observar e ver o mundo à luz do candeeiro da sua secretária e vivem em ambiente fechado, preocupados com a publicação dos seus livros, com o reconhecimento do público, com discussões sem fim com os do mesmo cenáculo ou com a passagem num programa de televisão. Ele considerava-os cegos, com uma visão abstrata das coisas. “Lançam grandes ideias, definem largas orientações da sociedade, pronunciam generosamente anátemas, dizem-nos onde, como e quando é preciso pensar, mas preocupam-se pouco com que as suas palavras sejam seguidas em atos”. Se “dão prova de grande habilidade nos discursos que fazem, não conhecem o mundo, não conhecem os outros homens, conhecimento esse que é o fundamento” da cultura. A cultura “não é uma questão de memória, de conhecimento livresco, nem de inteligência e de génio, é uma soma de experiências humanas, de bom senso e de caráter” que permite adaptar-nos e ancorar-nos à vida. A palavra cultura, dizia ele, “é muito mal tratada. Fala-se hoje de ‘cultura da empresa’, de ‘cultura da sanduíche’, de cultura a propósito de tudo e de nada. Os que fizeram estudos literários pretendem-se cultos porque podem ornamentar os seus discursos com toda a espécie de floreados”. Fez-me lembrar o herói d’A Queda d’um Anjo, de Camilo Castelo Branco, o sr. deputado Calisto Eloy de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, natural da aldeia de Caçarelhos, termo de Miranda, e que orçava quarenta e nove anos de vida, segundo o autor. Perguntava ele, no Parlamento, cujo Presidente o interpelou para que se abstivesse de usar frases não parlamentares, perguntava ele se certas locuções repolhudas do deputado sr. dr. Libório de Meireles, do Porto, do discurso do qual tinha entendido quase nada e percebido, “a longes, pouquinhas ideias”, perguntava ele se essas coisas eram parlamentares e onde é que se estudavam tais farfalhices. É que, no seu entender, naquela “casa, onde a nação nos manda depurar a verdade dos falaciosos ornatos com que a mentira se arreia, mister é que sejamos sinceros”. E mais disse em relação à empolgante intervenção do sr. deputado dr. Libório do Porto. Disse que até lhe parecia “que os obreiros da torre de Babel, quando Deus os puniu do atrevimento ímpio, falaram daquele feitio!”. Por isso: “Com aquele dr. Libório do Porto nem para o céu. Tenho medo que Deus o não entenda, e nos ponha ambos fora de cambulhada”, afirmou ele. Hoje divaguei, a impiedosa clausura dá nisto. Se o leitor porventura não gostou, faça o favor de fazer como eu costumo fazer: mesmo sem vontade, ria-se, ria-se outra vez, e outra ainda, mais outra! Sem comentários para o vizinho, coloque o desgosto, discretamente, na beirinha do prato... e siga em frente, com esperança: do quarto para a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para a sala, da sala para o quarto... Se usar máscara, que não seja a do carnaval, os de casa já o conhecem de ginjeira e o vírus não se assusta! E não se esqueça, ELE ressuscitou e disse a Tomé: “Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto” (Jo 20,29).
D. Antonino Dias- Bispo Diocesano Portalegre-Castelo Branco, 17-04-2020.
«Catequese em Nossa Casa» ganha nova versão e estende-se até ao mês de junho
Seis dias por semana, de segunda a sábado, os mais novos vão poder ver e participar no «Catequese em Nossa Casa» no canal Educris no Youtube sempre às 18h30.
A iniciativa conjunta do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), Sector da Catequese de Lisboa (SCL) e Agência Ecclesia, vai levar aos mais novos, do 1º ao 6º catecismo, encontros de catequese, com cerca de 20 minutos, correspondentes ao 3º Bloco de cada um dos catecismos da infância.
“Na segunda feira teremos o 1º catecismo, na terça-feira é a vez do 2º catecismo e assim sucessivamente até sábado”, explica ao EDUCRIS Fernando Moita, Diretor do SNEC.
As catequeses “são dirigidas às crianças que as poderão acompanhar juntamente com a família” e, de preferência, tendo consigo o catecismo”, sustenta o responsável.
Para o padre Tiago Neto, diretor do SCL, e um dos paceiros desta iniciativa, o «Catequese em Nossa Casa», agora em versão online, vem em contraponto “com o que habitualmente costumamos pensar acerca da catequese”.
“Normalmente olhamos para a catequese como uma estrutura antiga e pesada. A verdade é que este tempo tem revelado uma grande dinâmica a nível paroquial, diocesano e nacional, e esta é mais uma proposta para ajudar”, revela.
Para o diretor do SCL é fundamental “não encher as pessoas com propostas extras” pois “a catequese já tem um programa e um plano formativo” e interessa “desenvolver e proporcionar”.
Fernando Moita afirma que “esta nova proposta não substitui o que está a ser realizado pelas paróquias e dioceses, através do trabalho valioso dos catequistas”, mas quer ser “complemento e chegar aos que estão mais isolados ou desanimados”.
Cada sessão de catequese será preparada e apresentada por um catequista com dinâmicas próprias de cada catecismo.
“Podemos esperar novidades e interatividade entre a sessão de catequese e as crianças que nos acompanharem”, revela o padre Tiago Neto.
Pode seguir esta iniciativa com a hastag #catequesemnossacasa
Um dia houve alguém que nos encontrou. Parou diante da berma das nossas vidas e convidou-nos a entrar na casa do Seu amor. Não viu o que éramos ou fazíamos, mas olhou-nos com toda a Sua atenção. Tornou-nos o Seu mais que tudo. Fez de nós os meninos e meninas dos Seus olhos.
Um dia houve alguém que nos encontrou. Descobriu-nos na solidão do nosso caminhar e levou-nos ao maior de todos os encontros. Tornou-nos pescadores de homens e deu-nos a conhecer os mares da nossa humanidade: agitados pelo nosso medo e incompreensão e, tantas outras vezes, calmos pela certeza da Sua presença.
Um dia houve alguém que nos encontrou. Tirou um pouco do seu tempo para nos dar todo o Seu tempo. Insistiu em focar-nos naquilo a que somos convidados. Alegrou-se por tanto encontro verdadeiro e deixou-se comover pela escrita dos olhares puros e sinceros.
Um dia houve alguém que nos encontrou. Retirou-nos do esconde-esconde facilitador das nossas das nossas vidas e desinstalou-nos para todo o sempre. Deu-nos a conhecer que o encontro acontece à volta da mesma mesa. Rodeada com a pura humanidade que nos convida a tocar a divindade. E depois de nos ter encontrado tão de perto e de nos ter sondado como Pai: (re)partiu. Para todos e por todos. Mostrando que o encontro permanece no sinal e na convivência.
Um dia houve alguém que nos encontrou. Perdidos e desnorteados. Com sede de uma nova água e com fome de uma nova Palavra. Fez então da Sua vida um verdadeiro Verbo e conjugou-a em amor. E o Seu amor é agora o nosso melhor passado, o nosso presente mais certo e o nosso futuro mais promissor!
Hoje, diante do silêncio da tua vida, pergunta-te: quantas vezes deixaste que Ele te descobrisse? Quantas?
Nos dias que correm. Perdão. Nos dias que andam (bem lentamente) temos sido mais sugados pelo pessimismo. Antes de toda esta suspensão obrigatória e imposta, vivíamos reféns de um ritmo alucinante. Tudo acontecia demasiado depressa, à velocidade de um cruzeiro primo do Titanic. Agíamos como autênticos donos do mundo, sem ter nada que fosse, realmente, nosso.
Não estávamos felizes. E agora também não estamos.
Não sabíamos gerir o tempo. E agora também não sabemos.
Não tínhamos tempo para o mais importante. E agora também não temos.
Não sabíamos ver o lado bom da vida. E agora também não vemos.
Não atravessávamos zonas que fossem além da zona de conforto. E agora também não atravessamos.
Estamos ao colo do pessimismo. Como estávamos antes. Tudo a correr mal. Tudo é demasiado. O ritmo continua a ser de loucos. O trabalho é em quantidades absurdas e inumanas ou calou-se simplesmente e deixou de existir. Estamos fartos uns dos outros e da nossa versão de perfil online e virtual. Queríamos mais pele. Mais beliscões de alma que nos agarrassem à vida e ao mundo com as unhas e os dentes de antes.
Já chega de nos deixarmos estar neste colo de amarguras e queixumes colecionados. O colo da esperança é mais bonito que este. Mais leve. Mais tranquilo. Mais certo. É da esperança que nascem frutos. Do pessimismo só nascem cardos e espinhos.
É da esperança que surge o essencial. O que está escrito nas entrelinhas. O que está subentendido no sorriso que alguém teima em devolver-nos.
É da esperança que nasce tudo.
Enquanto estamos ao colo do pessimismo não nos permitimos reparar que a vida continua a existir. Há bebés que nascem, saudáveis, no meio de um mundo virado de pernas para o ar. Alheios a tudo, mostram-nos a única coisa que importa:
Hoje gostaria de recordar com vocês o que as mulheres fazem, inclusive neste tempo de emergência sanitária, para cuidar dos outros.” “Mulheres médicas, enfermeiras, agentes das forças da ordem e dos cárceres, funcionárias dos estabelecimentos de bens de primeira necessidade", disse o Papa Francisco durante a oração mariana do Regina Caeli, esta Segunda-feira do Anjo
Cidade do Vaticano
Ao meio-dia desta segunda-feira (13/04) o Papa lembrou, após o Regina Caeli, a oração mariana que durante o período pascal substitui o Angelus, as mulheres e o quanto elas fazem, inclusive em tempos de emergência de saúde, cuidando dos outros.
“Ouvimos que as mulheres deram aos discípulos o anúncio da Ressurreição de Jesus. Hoje gostaria de recordar com vocês o que as mulheres fazem, inclusive neste tempo de emergência sanitária, para cuidar dos outros”, disse Francisco.
“Mulheres médicas, enfermeiras, agentes das forças da ordem e dos cárceres, funcionárias dos estabelecimentos de bens de primeira necessidade..., e tantas mães e irmãs que se encontram trancadas em casa com toda a família, com crianças, anciãos, pessoas com deficiências. Por vezes, elas correm risco de sofrer violências, numa convivência da qual carregam um peso demasiadamente grande. Rezemos por elas, que o Senhor lhes conceda força e que as nossas comunidades possam ajudá-las junto a suas famílias”, exortou o Santo Padre.
Francisco concluiu renovando a todos as felicitações pascais. “Permaneçamos unidos na oração e no compromisso de ajudar-nos uns aos outros como irmãos”, foi a exortação final do Pontífice.
Francisco apela à solidariedade internacional, com chamada de atenção para a União Europeia Foto: Lusa/EPA Cidade do Vaticano, 12 abr 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco dedicou hoje a sua habitual mensagem de Páscoa, antes da bênção ‘Urbi et Orbi’, às vítimas da Covid-19, alertando para o risco de “indiferença” perante o sofrimento de populações mais desfavorecidas.
“Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus entes queridos, por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus”, referiu, desde o altar da Confissão, na Basílica de São Pedro, numa intervenção transmitida para milhões de pessoas em todo o mundo.
A pandemia obrigou a várias alterações nas celebrações pascais deste ano, no Vaticano, sem a presença de assembleia – com a Praça de São Pedro Fechada – nem a deslocação à varanda da Basílica, para a bênção à cidade e ao mundo.
“Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem-abrigo”, disse Francisco.
Na sua intervenção, o pontífice recordou em particular os idosos e as pessoas sozinhas, os que trabalham em lares de idosos ou vivem nos quartéis e nas prisões, encontrando-se em “condições de particular vulnerabilidade”, face à possibilidade de contágio pelo novo coronavírus.
O Papa rezou pelos médicos e enfermeiros, que “oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde”, bem como por todos os que trabalham para garantir os serviços essenciais necessários à sociedade, as forças da ordem e os militares.
Não sejam deixados sozinhos os irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada”.
O Papa defendeu o abrandamento de sanções internacionais, para que todos os Estados possam acudir às “maiores necessidades do momento atual”, bem como uma redução ou mesmo perdão da dívida dos países mais pobres.
A mensagem alertou para a possibilidade de ressurgimentos de “egoísmos” nacionalistas, num recado à União Europeia, considerando que o atual desafio colocado pela resposta à pandemia vai determinar o seu futuro.
“Que não se se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado”, advertiu.
O Papa aludiu aos sofrimentos físicos e problemas económicos que a crise tem gerado, afetando “inesperadamente a vida de milhões de pessoas”.
Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais”.
Francisco destacou ainda que, para muitos, ficar em casa, devido às medidas de isolamento social, “foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia”.
A intervenção começou com os votos pascais e o anúncio que marca a celebração deste domingo, na Igreja Católica: “«Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!”.
“Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca a dura prova a nossa grande família humana”, referiu.
O Papa presidiu à Missa de Domingo de Páscoa na Basílica do Vaticano, antes de proferir a mensagem pascal.